Quote 23 Apr 5 notes
O desejo que sinto por ti, descola-se de em meus olhos, desaba-se por entre meus lábios taciturnos que sussurram o teu nome, desabrocham em meus dedos que antes estavam entrelaçados aos teus, mas agora, caminham anarquicamente pelo teu corpo, sem mapas, sem rotas e sem destino. Vestia apenas minha camiseta branca do Dead Kennedys, já eu, apenas com aquela cueca boxer que você tanto gosta. Tu dizes a mim que estás em chamas, os bicos volumosos de teus seios se espreitam e quase perfuram minha camiseta, tu te desfazes dela, encara-me e arranca um beijo sereno e calmo de meus lábios, beijo de quem tem todo tempo e toda a eternidade a seu favor, como companheiro. Subitamente, você se levanta e se desenrosca de meus braços, caminha até a cozinha, sem entender muito bem, eu lhe sigo, tu abres a geladeira e pega alguns corangos e uma vasilha que contém chantili. Fecha a geladeira e me sorri, como um sorriso de menina arteira, mas que sabe o que faz. Eu sorrio de volta, volto para o quarto e deito na cama, tu vens, me olha e monta em mim, nessa hora, pelo balançar de suas curvas nuas, meu membro está ereto, espreito pelo jogo que se iniciará. Então, você me olha, pega o primeiro morango, passa-o no creme e o lambe, o morde por completo e engole, depois vem me beijar, com esses teus lábios adocicados ao gosto da fruta, você me provoca com seus quase beijos e olhares sublimes, enquanto eu salivo, olhando-te no ápice de meu desejo. Agora é minha vez de incrementar a brincadeira, com o chantili, passo-o nos bicos estonteantes de seus seios, inclino-me diante eles e os beijo, dou leves mordiscados, experimento o aperitivo desde jantar que é o entrelaçamento de nós, você aguçando o teu apetite por mim. Você, fecha os olhos e da leves sussurros, encara-me e beija meu corpo inteiro, tira-me a cueca, por alguns instantes encara o meu membro, aperta-o em suas delícias mãos, sorri a mim e beija a minha glande, com uma das mãos faz movimentos de vai e vem, alterando a velocidade, coloca o caput em teus doces lábios, para que meu pênis desbrave o mar te tua língua e alcance a liberdade no céu de sua boca. A cada novo entre e sai, meu membro se enrijece cada vez mais por tuas técnicas admiráveis. Minhas pernas começam a bambear, lhe digo para parar, você gargalha e para, vem até mim e me beija com vontade, beijo doce e melado, onde as línguas valsam e os lábios umedecem tudo ao redor. Coloco-te sentada na beira da cama, assim vou-lhe desafiando aos limites, provocativo, digo em seus ouvidos que hoje dar-te-ei prazer como jamais dei a mulher alguma, vou percorrendo com meus beijos tua barriga, teus pés, teus lábios, teu pescoço, suas coxas, assim, sem alguma explicação prévia, ou caminho pré-determinado. Não vou parar, até que você peça o que não tarda muito por acontecer, tu pedes que logo que eu navegue por entre os mares de sua fenda que se entra umedecida, assim o faço, teu clitóris me acena e eu o beijo, testo e acaricio, provocando o arqueamento de suas costas, provando o teu doce sabor de sua fenda, que escorre por entre suas pernas, lavando o chão deste quarto empoeirado. Chupo-lhe, penetro-lhe com meus dedos enquanto tu vais ficando mais corada e mais ofegante, até que você da sinais de seu ápice, então aumento a velocidade dos movimentos, num gruindo você goza, fecha os olhos e permite que os espasmos do prazer tomem conta de seu corpo, enquanto teu grito vai perdendo as forças se desabrochando perdido pelo ar. Tu cais exausta na cama, diz que teve o melhor dos orgasmos, exausto eu também deito ao teu lado e beijo-lhe o pescoço, você sussurra para que eu te penetre. Tu prendes tua cabeleira dourada, vira em direção aos meus lábios e se encaixa o corpo em meu lembro, enquanto eu faço-me de capitão e conduzo a dança por entre o teu mar. Tu seguras minha mão e pede mais velocidade, dou-lhe tapas e fortes apertos, o que aumenta mais e mais o seu desejo, tu começas a chamar-me de amor, continuamos até que o ápice bate a minha porta, como também da sua. Aviso-te, você dizes que ver mudar a posição, passo a tutela de capitã para ti, tu montas em mim e cavalgas, continuamente, pressentindo que vou gozar, tu também percebes, então sem parar me presenteia com o mais molhado dos beijos que já senti, gozo dentro de ti, minhas pernas fraquejam, as tuas também. Deitamos-nos um do lado do outro, nos cobrimos e nos aquecemos nesta noite fria de um monótono sábado, até que adormecemos abraçados…
— O Desejo Mútuo Em Um Sábado de Noite Fria, Pierrot Ruivo
Quote 22 Apr
Doutor, diga-me como poderei dormir novamente, estou cansado desta minha insônia que me mata, dê-me fórmulas milagrosas para embarcar no trem que parte para a terra dos sonhos, o qual eu o perco toda noite e persigo toda vez que o sol pede licença para brilhar. Doutor disse-me que tem uma cura milagrosa, o hipnotismo, desde então tenho dormido o tempo inteiro, mas o problema, é que tenho recorrentes pesadelos, vivo em transe, dormindo, nunca acordo, escrevo-te esta carta no mundo dos sonhos, enquanto meu corpo repousa em meu quarto escuro e trancado, creio que já se somem dias e mais dias. Doutor tu não me está usando para acabar com seus desafetos, certo? Por que sinto cheiro de sangue, Caligari? Não me mande travestir-me de assassino, justiceiro que não enxerga tuas atitudes em um limpo espelho. Tento eletrocutar-me, mas não adianta, o meu corpo apenas reage com pequenos espasmos, insuficientes para tirar-me deste transe, há de existir uma palavra mágica para me salvar? Resposta, a poesia… Mato e enterro corpos, em noites ensolaradas e chuvosas, os malditos desafetos do doutor, todos aqueles que o fizeram sofrer. Escrevo, até a exaustão de minhas mãos, apenas para tomar-me o corpo de volta, ser novamente nomeando de capitão desta tortuosa embarcação, que chamo de “eu”. Escrevo cartas, as coloco numa garrafa e atiro em direção ao mar marejado dos olhos de meu corpo, para que no escorrer das lágrimas, alguém se depare com estas cartas engarrafadas e possa me salvar deste horrendo transe. Enquanto isso, assisto de camarote aos acontecimentos, nesta pequena ilha da qual me encontra, naufrago de mim mesmo, sem ao menos perceber…
— Mais Um Mandante De Assassinato Travestido De Doutor Caligari, Pierrot Ruivo
Quote 21 Apr 3 notes
Quem da de presente o seu sorriso ao mundo, também é o mais triste dos seres. Está fadado, condenado a ser uma dicotomia ambulante, tragédia e comédia residente em sua só mente. Não há leveza, só há peso. Estou cansado de assistir de camarote a minha dor devorar-me de dentro para fora, a dizer “sim, está tudo bem”, afinal bem pra quem? Para um padrão escasso de comportamento, onde eu tenho que destilar por entre minha língua morta que estou feliz? Não, não pertenço a esse teu mundo. Sou triste, desde o ventre de minha mãe, nunca fiquei bem, não sinto paz, sempre levo golpes mortíferos da minha tristeza, por tentar disfarçar, com sorrisos, graças e piadas antiquadas, quase como punição, às vezes a melancolia se faz de carrasco e chicotei-me as costas. Sinto-me fardo e nojento, vejo a repulsa no olhar de todos quando digo que nunca fui feliz, o cansaço me destrói a cada dia que se passa a cada sorriso que disparo com veemência, poucos são os que me entendem, então decidi trancafiar essa tristeza em mim, para não ser questionado e obrigado a atingir algum estado de uma felicidade inexistente. Diz que me conhece, mas não se atreve a mergulhar em mim, prefere ficar a beira da lagoa, molhando os pés, se satisfazendo de meus beijos rasos e inofensivos, embebeda-se de minha conversa afiada, desgastado há um bom tempo. Triste eu nasci, triste até aqui eu vivi e sei que permanecerei, por fim triste morrerei quando chegar a hora de meu derradeiro fim. Então, meus, deixem-me em silêncio, pois a partir de agora, não blasfemarei tudo o que surge em mim, a felicidade encontra-se a quilômetros de distância de mim e principalmente, ela está muito longe de ti. Minha felicidade, não tem cor, forma ou cheiro e sei que ela não está entrelaçada ao pecado de consumir-se. Há quantos sorrisos e gargalhadas estou mais perto de meu colapso? Uma verdadeira explosão de um incendiário. Não me fantasio de sua fantasia preferida.
— Eu Já Lhe Disse Que Sou Triste? - Pierrot Ruivo
Quote 20 Apr 1 note
Habita em meu interior um personagem hostil, ninguém nunca soube da sua existência até então, de antemão, lhes digo, ele não possui nome e nem sobrenome, muito menos uma certidão de nascimento. Não possui pátria, ele é simplesmente o feto emancipado de quem ficou por muito tempo calado, Ele é a bomba prestes a explodir, não possui rosto ou alguma característica que o defina alguns infelizes que o viram em sua frente dizem que ele é um manequim, pálido e indestrutível, existe apenas um sobrevivente, devido à benevolência do manequim, em deixar alguém vivo para reproduzir a história, avisar os desavisados, pois assim, evitará explosões e viagens desnecessárias ao inferno, que tem como endereço o mesmo lar que o dele, o meu corpo. Golpes e mais golpes figuram por entre as manchas de meu corpo, não há como esquivar, enquanto vou me acostumando com a dor, à hostilidade de mim vai crescendo sem precedentes, força da natureza a culminar na destruição total desta cidade enferma e vazia, apenas corpos famintos por carne quente reside aqui, as almas já se foram há tempos. Sou um jardim de flores perdidas e mortas, na aorta de meu coração foram germinadas as sementes dos incendiários odiosos e dos homens bombas que calados cumprem suas funções. No retrovisor do monstro raivoso, se vê corpos e mais corpos, carcaças e funerais de suas vitimas e inimigos mortais, discursos de luto, técnicas e golpes mortais, ele sabe como destruir seus inimigos das mais variadas maneiras. Tenho medo de quando acordar, enxugar meu rosto, seca-lo e me encarar por alguns segundos no espelho eu veja o monstro hostil que me transformei, raivoso e revestido com uma camisa de força.
— O Monstro Hostil, Pierrot Ruivo 
Quote 20 Apr
Em suas imagens refletidas no espelho enxergam o sagrado messias, o galã dos cinemas, mas apenas são as crostas, gritam e inflam seus enormes egos e peitos para dizerem que enfim atingiram ao estado supremo da felicidade, uma pena, a felicidade destes homens tem preço, a minha tem valor. São porcos maltrapidos a gozarem de uma castidade incoerente, em seus lares não tem espelhos, nem em momentos de solidão voltaram seus olhos para si, o que os mantém vivos são as suas genuínas habilidades de consumir. São porcos carnívoros a comer seus companheiros mais fracos, os velhos são escorraçados da manada, ou viram alimento quando estão desprevenidos, servindo de proteínas, com o pouco que restou daquele corpo insosso. Suas ossadas servem como decorações de suas imundas mansões, bijuterias para suas amadas acompanhantes, mas não há santuário, na realidade, isso é apenas fruto de um sadismo barato. Serão eles a gozarem de um estado profundo de liberdade? Sem se envolver, sem criar vínculos, sem se atrelar a nenhuma causa. Bebem, fumam e cospem uns nas caras dos outros, sorriem e logo se lembram do vazio que os consomem dia após dia, nada resolve, sexo tem ao momento que quiserem bebidas dependendo se aquela semana de trabalho rendeu bons frutos, drogas também não é problema, alguns até matam para sentirem a adrenalina pulsando nas veias de corações exagerados. De fato são reféns das horas, do relógio durante toda a semana, de baterem ponto e aturarem arrogantes chefes prepotentes. Fingem ignorar as horas durante os fins de semana, mas Chronos jamais os deixam em paz. Nos mares de carcaças, eles seguem bêbados e acorrentados em suas prisões, que os mesmos chamam de corpos, aproveitando de toda a luxúria que seus corpos podem suportar, beijando seus músculos enquanto galanteiam a si mesmos nos espelhos. Não são elefantes velhos a vivenciar o santuário das carcaças de seus antepassados, não protegem uns aos outros durante a tempestade, não tem a visão privilegiada, o máximo que seus olhos famigerados vão é ao redor de seu mundo e nada mais, nas garrafas vazias, são seus troféus, as rugas se assemelham aos marfins desgastados de elefantes. Meu caro, um aviso de antemão, se não quiseres sofrer com a morte de seus iguais que lhe cravam adagas afiadas em suas costas, tire as vendas e fuja…
— O Cemitério dos Porcos, Pierrot Ruivo
Quote 18 Apr 86 notes
Querem me conhecer? Me leiam, devorem-me com a boca e os olhos, me toquem como crianças atrevidas, Me mordam e assoprem, desvendem-me os mistérios e angústias, o desespero que lhe assola vocês podem assisti-lo sendo descrito por minhas mãos pálidas e congestionadas. Engulam-me, mastiguem-me, vomitem e me regurgitem para tua vasta casta de seguidores e admiradores. A cada linha que escrevo, é um terço de minha personalidade que é demonstrada, apurem-se bem de interpretação de texto, pois sim, as entrelinhas estão cheias de mistérios, mas lá também residem as verdades. Na solidão se faz um testamento em forma de manifesto, testemunho da gestação de algo indigesto a vossos ouvidos “puros”. Desamores? Tenho aos montes, coleções de feridas e palavras insanamente ditas sem pensar, marcas em minha mente, delas retiro a inspiração, dentro de meu exílio, carinhosamente apelidado de retiro. Não sigo métricas ou receitas especializadas, alguns dizem que psicografo, pode até ser, meus poemas são histórias ou estórias que vi, ouvi ou vivo, protejo o ator principal, colocando-me em primeira pessoa, sou o ser que conta e em outras vitórias sou aquele que recebe o soco. A poesia de mim é o fumo solto de um cigarro recentemente apagado, para curar a ansiedade e a saudade de alguém. Desço ao inferno na terra, para trazer o céu em forma de poesia para aqueles que se perderam pelos entorpecentes. Vou a um rasante voo, num dia nublado e obscuro, me embriagando de minhas próprias palavras e tormentos. Com as maldições que me atiram com suas tecnológicas metralhadoras faço retratos, seus, meus e nossos. De amores a rancores, desenho retratos com sombrios adjetivos. Os novos Dons Juan são fabricados em massa nas academias pertencentes aos Dorian Grays, trocam saliva com seus próprios reflexos neste espelho sujo. Não te incomodes isso são só apenas frutos de uma fugaz apresentação àqueles que não estão familiarizados com tamanha melancolia, disfarçada de destreza e força, sigais teu caminho, assim como seguirei a escrever.
— Os Mistérios de Um Pierrot, Pierrot Ruivo
Quote 17 Apr 1 note
Prepare-se, pois a tua composição pomposa apenas serviu apenas de abertura para seu fracasso eminente. Peça a algum pianista competente elaborar o réquiem de teus falidos objetivos, cordas pesadas de um velho violino, dedos enrugados a bater com certa fraqueza nas teclas sem aderência, os corvos e seus ceifadores já estão rondando o velho músico, que tenta no ápice de sua genialidade confortar-se do vazio que o assolou durante toda a sua vida. Meu caro, não se esqueça de um coral bem disposto com cara de luto, avise aos seus convidados que a festa é a traje de gala, não se esqueçam de sua melhor cara de luto, se preferir contrate atores para que eles se debulhem em lágrimas diante do caixão. Já que nem você mesmo sente vontade de chorar, afinal já sabias o futuro como uma cartomante? Apenas continuou seguindo a teimosia para diferenciar-se frente aos demais. Teu passado o assola, flashes e mais flashes, desde o momento de sua ascensão até a sua amarga queda, ditaduras já caíram com mais elegância do que você, meu companheiro. Tu não és a estrela de brilho raro, estenda-se no tapete vermelho e espere o sorriso sorrateiro estampado em fotógrafos decaídos, pena nenhum deles lhe da o mínimo de atenção, acredito que você tenha deixado teu brilho escorrer por algum esgoto desta cidade. Criação midiática estava estampado em seu pálido sorriso que tu não nascestes para esta vida frágil e fútil, ser a dicotomia preferida de entrevistadores bem trajados não é de seu feitio. Mas nem tudo está perdido, do fundo do poço é mais fácil recomeçar um novo caminho e agora que você já tem sua primeira experiência com a derrota, aprenderá a não se iludir por ofertas e capas de revistas. Mas por hoje, aprecie sua despedida e olhe atentamente aos olhos daqueles que o cercam e verás a satisfação em sua queda a cada aperto de mãos, condolências e acenos, aproveite esta noite e deposite uma rosa branca no caixão infame daquilo que você nomeou de fama, pegue teu cachecol e vá para casa. Durma leve como há tempos não fazia e ao acordar, pendure teu sorriso seu gosto, pois agora você é um novo homem…
— O Réquiem de Sua Amarga Derrota, Pierrot Ruivo
Quote 16 Apr 4 notes
Neste porto imundo.
Eu estou a olhar a lua.
Tecendo bons momentos com ela,
Confidenciando segredos às estrelas
Constelações de épicos heróis…
Assistindo a maré avançar
E tomar-me o casco
A costa da praia.
Beijando suavemente o cais, varrendo a sujeira que nele se encontra.
Molhando os pés das cortesãs e de seus amados marujos.
Ofertando carinho por um punhado de moedas de ouro.
A madeira de minha proa encontra-se úmida pela neblina que me encobre as vistas.
Talvez o Holandês Voador tenha ancorado por estes mares calmos.
Estou aprisionado a este porto, envelhecendo a cada dia que passa.
Meu capitão é desnaturado, apenas enche teu estômago de rum, enquanto atira-se aos braços delicados do pecado…
Tripulação? Eles não existem, todos desistiram.
Os servos infaustos, são estes seres que me fazem companhia
Malditos parasitas incrustamos em mim.
Por mais que eles tomem-me o corpo, existe um lugar que faço questão manter limpo
Uma única madeira, do assoalho, tem gravado teu nome, assim perto de meu coração…
Talhei em mim teu nome, para que eu não me esqueça de ti.
Ah, Stella Maris, sei que tu só proteges os marinheiros, mas não tenho a quem mais pedir socorro.
Deixe-me sentir o sal do mar apenas por mais uma vez…
— A Embarcação, Pierrot Ruivo
Quote 15 Apr 3 notes
No ar em que respiramos, em nossos olhares de medo e repreensão, nos outdoors e em comerciais de cerveja lá está o Apartheid Tupiniquim dando as caras, somos os delinquentes eloquentes, sabemos que ele existe, sabemos que ele está mais vivo do que nunca e o trancafiamos em nós, acobertamos a repulsa com alguma crítica ao comportamento, mas lá no fundo sabemos que seremos escorraçados pela opinião pública e ninguém quer ser o vilão da vez, então acobertamos a verdade. Batemos palmas, quando no fundo de nosso âmago estamos amaldiçoando aquele tem a cor diferente da nossa, ou até mesmo a aparência que está fora do nosso pretensioso senso comum, desvirtuado pelos “bons costumes”, engana-se que acha que o preconceito só pertence a americanos e aos anos perdidos do Apartheid africano, ele está muito vivo nesta terra que chamamos de lar, a cada dia que passa ele cresce e desenvolve, sinto que demorará a chegar o dia que ele sucumbirá à morte, por que ele está assim, escondido. Aos homens bons da televisão, encolhem-se em seus carros blindados quando se tem como caminho a periferia, políticos levam toalhas bordadas por crianças órfãs belgas para se limpar do suor de seu eleitorado nos comícios em ano de eleição. Fatos é o que tu queres? Jovens mortos em esquinas, por serem negros e homossexuais. E a polícia? Nada fez, nada sabia, fez-se de cúmplice e “abafou o caso” alegando suicídio. A -tentativa- de “ocupação” de jovens de periferia, que foram excomungados como leprosos de grandes centros de consumo, novamente o Apartheid deu as caras, em liminares e julgamentos, cassetetes, capacetes e discursos incoerentes, lá está o preconceito travestido de “ordem”. Nos esportes, assistimos com o tom de tédio alguma notícia que determinado esportista teve arremessado contra seu corpo bananas, alguns dizem que não machuca, mas essa granada não machuca a carne, mas sim a alma. Nas avenidas principais da terra do samba, garis protestam por melhores condições de trabalho, enquanto a opinião pública torcia seus narizes já empinados, há alguns meses antes médicos com seus aventais brigavam e xingavam outros médicos cubanos que em sua maioria eram negros e mulatos, não simples palavras, mas ofensas raciais que só de ouvir causam-me náuseas. E o que médicos cubanos faziam ali? Tentavam simplesmente fazer/ ir ao seu trabalho, fazer o que foram contratados, uma medicina simples em periferias e lugares isolados, que a vossa casta de exemplares médicos não se atreve nem a dizer o nome. Aplaudiram os médicos de pé, afinal, em uma sociedade em que um pedaço de papel vale mais do que as qualidades que foram aprendidas com o tempo, que se falta investimento a educação, onde a renda é o que dita à regra do jogo, onde a impunidade e a segregação sempre se sagram campeãs, o que se pode fazer? Mudar e mudar com urgência! Ora Brasil, você é muito maior do que isso…
— O Apartheid Brasileiro, Pierrot Ruivo
Quote 14 Apr 30 notes
Então, vais, contra o vento, sofra com as pontas de seus cabelos sofrendo duros golpes e perdendo a luta para a corrente de ar fria que tu tanto amas, teus cabelos se desvelhenciam de uma rota perfeita, para pequenas pontas a tentar fugir em inúmeras direções, mas sempre falhando, tentando alçar voo com uma corrente envolta de seu pescoço. Não se esqueça de seu cachecol vermelho, só ele protegerá tua frágil garganta. Ah, se tu soubesses que esta nudez em sua face se torna encantadora e sedutora, jamais perderia tempo se maquiando, assim chegando atrasada em seus compromissos. Onde estão apontando teus olhos, onde eles estão escorando por um descanso, beijando outros olhos em meio a respirações ofegantes? Apenas amo-te, pela calma que traz quando tu me encaras e pelo perigo eufórico que é te amar, que se não fosse o amar, jamais reconheceria a mim mesmo desnutrido em meu reflexo. Sinta o ar gélido penetrando-lhe a pele, os poros, até tu encontrares-se mais fria do que a própria neblina que te envolves quando sai para o trabalho. O que teus lábios finos estão pronunciando, a quem eles estão aguardando? Teus dedos estão separando os carteados de mais um jogo que eles não estão convidados. Teus leves pelos são a relva, calma a sorrir na direção em que o vento soprar, mas assim, tem liberdade de ser relva emancipada de raízes, desprende-se do chão e vai, vais junto do pólen, do amor que está trafegando pelo ar. Tuas costas são o céu parado e desnudo de nuvens, com algumas marcas de nascença, eu digo que são as estrelas que formam as mais belas constelações. Tu és música e letra, valsa e tango, tu és minha musa…
— Como Poderei Evitar Me Apaixonar Por Ti? - Pierrot Ruivo

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