Quote 21 Jul 2 notes
Tu me verás.
Mas de nada irá adiantar.
Sei muito bem, que não podes mais me amar.
E isso lhe incomoda, nunca compreenderá.
Olhará no fundo de meus olhos?
Pode tentar o quanto quiser, apenas enxergará a penumbra de mim.
Olhará estás palavras com empatia, mas nenhum significado para ti terá.
Não amará o lirismo que fora ao coma induzido.
Sei que nunca se importou.
Não se preocupe.
Faço-te agora uma confissão:
Fui mais da tua confusão do que de seu amor.
Não me abraçará jamais…
Fui trancafiado na ilha de alcatraz.
E jogaram fora a chave.
Não há Malvinas para nós dois.
Deixe as desculpas para a missa de sétimo dia, deixe para depois…
Tu com teu sotaque inglês.
Jamais se encontrará com o meu tango argentino.
Seu carinho é uma piada sem graça, o escárnio do eufemismo.
(“Torcia tanto por vocês”, nos dirão)
Nesta eterna queda de braços jamais acharemos um único culpado.
Um súbito encontro no metrô,
Se transformará em um conto de horror.
Enredo, digno de Poe.
Finalizando em uma morte lenta e dolorosa.
Sempre fui um bom ator, mas por favor, não me venhas pregando o calor em veste de carência.
O que vocês leem são o resultado de nossa decadência.
Prefiro as correntes de ar gélidas a chicotear minha fuça.
Talvez estas palavras sejam uma nova forma de agressão.
Nada mais do que justo, não é?
Já que tu surraste o meu coração.
Tenho que me esconder, não sei se isso algum dia importará para você.
Seremos dois desconhecidos que já tiveram momentos íntimos.
Recordava do som da tua voz como um mantra, hoje ela não passa de um tiro violento desferido contra meu peito…
Sem aviso, sem preceito.
Não há ninguém para ser eleito.
Apenas eterniza-me nas histórias que você conta de copo em copo.
Língua fazendo curvas em outras bocas, para amanhecer com gosto de ensopados guarda-chuvas.
Refaça tuas juras de esquecimento.
Sobre a imagem de novos santos midiáticos e tua imagem alcoolizada refletido no espelho do banheiro…
— A Anedota Dramática De Metades Subjugadas, Pierrot Ruivo
Quote 20 Jul 2 notes
A boca encontra-se seca, parece até um viajante no deserto, mas logo a temperatura cai e a boca se racha. Não há mais dias, apenas noites esticadas e eternas, escuridão, o que clareia o ambiente são apenas os vultos das lanternas de carros que passam por minha janela. O relógio marca seis, mas há algo de errado comigo, nada sinto, movo-me, mas não o sinto, o relógio está marcando seis da manhã e eu ainda não consegui pregar os olhos, eles estão estatelados. Serei eu um navio naufragado do mar em que incansavelmente habitava? Meu lar tornou-se minha cova? Tenho-me ouvido cada vez menos, tentando ignorar o que meu corpo grita, a única coisa que ouça é a sua voz leve dizendo-me em tom sério um adeus, sem alguma razão, um adeus e suas reticências. Meus olhos veem apenas o teu rosto refletido nestas paredes brancas, assim como a curva de seu corpo pálido. Queria eu viver o meus sonhos por todos os dias, sendo refém de teu amar, desbravando os teus perigos e tua segurança frente a um céu fechado em uma possível tempestade. Mas não me preocupo muito, os ventos sempre sopram as nuvens carregadas. Os ventos sempre sopram as nuvens carregadas? Isso me relembra frases consagradas de livros de autoajuda. Dei-lhe tudo o que me pedira, meu céu e meu fel, desisti de minha música, ideais e bandeira. Dei-te minha fé e meu Deus, tu me respondeste que precisavas de pão, também lhe alimentei com ele. Mas encontra, apenas obtive seus muros frios e úmidos, de troco recebi um saco velho com moedas mais velhas ainda, moedas sem algum valor que foram retiradas de circulação, em certo ponto talvez eu entenda sua caridade, mas o que de fato eu queria era teu calor, não objetos de valor. Ia até ti, tu desviavas, trouxe-lhe flores, você as recusava. Ofertei o meu só, você me vendeu a fantasia de tua cidade fria. Delimite as fronteiras de minha prisão e assim, saberei aonde chamais poderei pisar, já que por todo este campo está minado. Mas não te preocupes, não deixe-te a vida pesar sobre os olhos, na mesma estação em que nos conhecemos nos desconhecemos, assim façamos um trato, cada um contente-se com a condição que é, você uma viciada no obscuro e no inseguro, já eu mais um folha caída desta árvore…
— O Relógio Marca Seis, Mas Mesmo Assim Não Consigo Pregar Os Olhos - Pierrot Ruivo
Quote 20 Jul 2 notes
Deixe-me cego, não preciso ver para comprovar.
Apenas sinto, sabendo que posso amar.
Estou cansado de ficar parado.
Nasci sem raízes, não fora feito para fincar.
Meus senhores toquem os sinos.
Deixem que por esta porta entre os assassinos.
Precisamos de fantasiosas histórias para vender grandes matérias.
Os vestidos e as camisas estão a desmoronar ao chão.
Mas as almas não, estas nunca irão se despir…
E eles dizem: “Não me dê paz, eu só aceito a guerra!”
Vencer, comer, enriquecer, este é o lema a se seguir.
Quem será o mais novo sobrevivente?
Quem irá admitir os erros?
Quem será o valente?
Quem será o polivalente deste o berço?
Há muitas histórias para contar.
E muito poucos lados em que se pode confiar.
Nas escolas não ensinaram nada sobre o fracasso.
Eu passo este teu casto compasso.
É fenomenal a ignorância da audiência.
Pura decadência automática.
Se a música que ouves não há mais vida.
Esses são os ecos de uma vida fria.
A letra não possui mais suor de inspiração.
O que vale é vender o refrão e da crítica arrebatar o coração…
A águas que reside dentro de ti pode curar de você.
Então, a deixe escorrer…
Não adiante ser joia, se não sabe como agir.
Não peça para entrar se antes do amanhecer desejas partir.
O jardim dos dois amantes está seco.
O amor que você procuras está à espreita, nos mais sujos becos.
Os que não sentem o peso de um adeus serão os vivos?
Quebram a corrente viciosa de todos os ciclos…
— Os Sobreviventes? - Pierrot Ruivo
Quote 18 Jul 21 notes
Em fortes tijolos construíram-me.
Eu fora um edifício de sucesso.
Para adentrar em mim não precisavam de ingresso.
Todos eram muito bem vindos…
Mas as décadas foram passando.
E eu fora envelhecendo,
Aos poucos da vida me esquecendo.
Marcaram-me a demolição
Assim virei pó de histórias e chão.
O Escombro.
Como por encanto.
Histórias dos contos.
Ergueram-me no ombro.
E voltei a minha forma original…
Com o passar das décadas esse processo sempre se repetia.
Até que chegou o fatídico dia…
Não tive ajuda e consegui me reerguer
Fora abandonado, lacrado, como um leproso.
Aliás, um leproso seria tratado mais dignamente.
Pararam de habitar a mim como se eu tivesse culpa das infiltrações que surgiram.
Eu não sou um criminoso!
Assim, por gastura de tantas quedas e levantações
Cansei-me daquela condição…
Adquiri náuseas em minhas paredes internas e externas.
O vômito pede passagem por passar a mim, mas nunca sai de fato.
Parece-me que esta condição será eterna.
Nesta terna terra onde fui fincado.
Morrerei abandonado.
Careço do amor que eu ouvi, mas nunca senti…
Atreveu-se uma seguradora a me comprar.
Primeiro,
Chamaram a enfermeira.
Ela aplicou um punhado de vida em minhas veias.
E começaram a me restaurar.
Um homem, muito estranho, de cabelo arrumado e engravatado
Disse as seguintes palavras: “Este edifico será tombado como patrimônio histórico”
Novatos engenheiros e pedreiros foram contratados…
Assim em poucos meses, vir-me-ei um museu, desses de arte moderna.
Ganhei até vigia vinte e quatro horas por dia.
Eles têm lanternas!
Fora curado de meus enjoos também…
Eu não fora feito para arrecadação ou habitação.
Mas sim, para a visitação.
Desculpe, mas hoje tenho receio de novamente me entregar.
Por medo de desabar.
Estou acanhado, não irei me declarar.
Desculpe, mas por hoje, só de longe posso te amar.
Mas será este eterno medo e essa euforia de te ver.
Uma nova forma de viver?
— A Obra, Pierrot Ruivo
Quote 17 Jul 2 notes
Por mais de mil dias convivo com este amor, detentor do fato de amar e ter medo de desmoronar-me e não amar mais ninguém. Sou refém deste amor que me traz incêndios por todos os dias que a vejo, que faz-me rabiscar incansavelmente algumas palavras que passam trazer-me oxigênio, palavras grudadas á garganta, podem trazer um aceleramento súbito de um frágil coração, o olhar grita, a boca nega. Talvez eu não seja tão bom ator assim, você vou junto, esteve por perto, apenas eu que não estou no momento certo, tu se vestisse com a melhor roupa que em ti lhe coube, mas as borboletas pediram licença para voar, forçando-me a despejá-las no ar, em um chão sujo e poluído, sou um homem que teve todas as chances e perdeu categoricamente, todos elas, um novo exemplo a não se seguir. Por um medo infantil da rejeição, fiz-me concha para a nossa proteção, sim minha e tua, pois estou condenado a carregar comigo os alardes e angústias do mundo, não sei quando a passagem vencerá e se ela vencer receberei um aviso e serei obrigado a embarcar no trem. Tu és a mulher dos olhos de todos eles que soltam testosterona por entre seus poros imundos, eu apenas um relógio adiantado e desfigurado, talvez ansioso, terremotos salvarão toda a mágoa que em minha pele escorre. A essa altura, distribuir “eu sinto muito” não importa muito, não é? Sinto não nego, com certa culpa talvez, mas ainda sim sinto, ele é pulsante e está a me devorar dia após dia, alimento-o com tentativas de poesia, mas só ao te ver ele cessa e se acalma enquanto o coração dispara. Não adianta esconder-se do amor, carregar contra si o mais espesso dos escudos, o cúpido irá acertar o alvo quando tu menos esperar, assim como aconteceu comigo. Nas madrugas, eu estou a entrar pelas frestas da janela do teu quarto, junto do frio que lhe traz o aconchego, desisto de toda a liberdade e prazer se o destino nos emaranhar os cílios e os dedos das mãos, cruzando o olhar por um grande amar. Não tentes adentrar nas profundidades de mim sem guias e salva-vidas, tu podes se afogar. Aos destemíeis inimigos, ouso lhes dizer, não tentes desafiar-me, pois eu sou um tiro no escuro e tu nunca sabes como irei revidar. Limitado até certo ponto, pois para ti, eu guardo a última bala batizada com doses extras de minha violência…
— Desperdiçando Chances Com Possíveis Amores E Distribuindo Tiros Certeiros Aos Falsificadores, Pierrot Ruivo
Quote 16 Jul 48 notes
Ela entra no banheiro cambaleando, trocando suas pernas, faz confissões e conta piada para seu reflexo no banheiro, pensas o quão bom ouvinte é aquela pessoa, mal vê o vaso sanitário a sua frente, não percebes que a imagem refletida é a dela mesma, entrega-se ao vômito, pois precisas emagrecer para poder experimentar aquele vestido que viu há semanas atrás, o parcelamento a salvará desta vez. Filosofa a respeito do amar. A cada refeição que bota pra fora manchas este vaso sanitário. parafraseando autores consagrados e seus clichês populares e indecifráveis, enquanto distribui a quem quiser ouvir indecifráveis frases, talvez frases ensaiadas exaustivamente, ou até mesmo quem sabe de sua própria autoria. Apenas não faças promessas de desistir da boemia, isso apenas são frutos de sua volatilidade, sequer penses em morrer, pois isso é para os fortes, eternize-me na sua guerra particular, de copo em copo e de bar em bar, mas jamais pregue a paz a morder-me com teus venenos, sou teu próprio antídoto e talvez a causa de seu vício. Eternize-me nestas doses e diga que me esquecera, todos sabem que não é verdade e lhe escutam reeditar cada passo daquela noite. Apenas digo, não abra as cartas que por engano caírem em teu colo, as devolva para o carteiro e diga que o remete se mudara. Encare isso como um conselho sem ser pedido, para de correr, pare e sinta a dor, seja suja confidente, não sua inimiga, não se anestesie com milagrosas pílulas, encare os nossos erros, assim como faço ao escrever cada palavra. Sei que você tentará perseguir-me, confundirá tua sombra com o par que formávamos embaixo dos holofotes desta cidade, mas o show sempre continua o próximo ato já está na metade, não queira desistir, tu sabes muito bem que seremos eternos vizinhos no inferno. Esquecer-me? Só você tem este poder, mas não sei por que não o usas. Talvez a dor lhe traga um alívio por viver, quiçá um novo prazer. Tuas constantes mudanças de humor afetaram a mim, agora sou um pedaço maltrapido de ti, forçado a se reprimir e encher-se de pudor, apenas encontra a liberdade ao escrever-te algumas cartas que nunca serão enviadas. Se você parar de fazer promessas efêmeras de mudanças radicais, prometo-lhe escrever algo de bom tom, assim que a chuva de ti cessar, escolhas você tem aos montes, afundes ou levante-se, só você pode decidir. As câimbras não podem vencer a ti, sei que sou o causador, mas posso ser o antídoto deste veneno todo se sobriamente você acreditar em si, todos nós temos os nossos fardos para sustentar. Então, refaça a maquiagem e encante aos homens como tu fizeras comigo. De acordo?
— Promessas Sobre Vasos Sanitários, Pierrot Ruivo
Quote 15 Jul 1 note
Achas que teus sorrisos brilhantes de plásticos demonstrarão o quanto é feliz, cuidado todos sabem que tu foras modelado de peças pelos quatro cantos desta terra, a importação para ser bem aceito nas rodas dos donos da cidade. És um Bon Vivant, a gozar de vinhos caros, viagens semanais e parceiras com todas as intenções, mas você não se importa com o real significado, o que lhe salva são os corpos e alguns orgasmos fingidos que colecionas sem saber, o que vale é o teu ego nas alturas. Cuidado meu caro, teus amores lhe cravarão estacas pelas costas quando tu menos perceber. Dar-te o sorriso mais sincero e ela o retribuirá, mas seu estômago entrará em náuseas, vais voar com todos os pássaros que conseguir e depois volte e se aconchegue nas asas do canário que você acorrentou como álibi do amor. Tens um harém aos teus pés, tem tudo aquilo que o teu limite no cartão de crédito pode lhe dar, mas afinal, é assim que quer ficar conhecido, o morto mais endinheirado entre todos os outros? O epitáfio folheado a ouro branco, enquanto tua alma sofre no denso inferno e os vermes devoram-te a carne, não perdoaram nem mesmo este caixão da madeira mais nobre e cara que o dinheiro possa comprar. A sorte fora lançada, táticas ultrapassadas, mas ainda sim gloriosas contra o mais novo preenchimento de espaços e total dedicação ao seu cônjugue, sem artimanhas. Meu caro, o teu jogo já fora decifrado e alunado pelas tuas adversárias, gaba-se em ser o conquistador, um cheiro doce e a confiança certa, pronto tu tens todas as moças que sempre sonhou. Mas tu já percebeste que elas entregam-se a ti no escuro, nunca no empalidecer de uma tarde, elas apenas são suas em segredo, mas a grande pergunta a se responder é até quando tu acharás divertido saltar de trampolim em piscinas de águas rasas e mornas? Pode olhar-me a vontade, encara-me e verás o teu envelhecimento, na escuridão em dúzias, eu sou par e tu carta fora do baralho de todas as moças que tu conheceras, sou um eterno círculo de repetição, podes ganhar esta batalha? Serei um fósforo de queimar eterno, já você pode-me dizer que será uma boa companhia até o restante de teus dias, sei que não podes, teu objetivo de vida era consumir o máximo que puder. Uma pena que não criastes laços firmes, apenas nós fracos que com o tempo foram desfiados, apenas contente-se com o tédio e o silêncio, contente-se em ser jogado para escanteio, encare o fato meu caro, o título de senhoril só lhe é atribuído em relação às moscas das carcaças que você poderia ser…
— Sonha Em Ser O Senhor Das Moças, Mas Tudo Que Conseguira Foi Se Transformar Em Senhor Das Moscas - Pierrot Ruivo
Quote 14 Jul 4 notes
Internações médicas são propostas para popularizar interações?
Os analistas não conseguem entender.
Estão ultrapassados.
Constantemente são torturados.
Pelas glórias de seus passados.
As amantes também.
Não sabem o porquê.
Não sabem o que fazer.
Odeiam-me por não compreender-me.
E acabam amando o caos que habita em mim.
Não te preocupes, não gaste saliva comigo para suas desapropriadas rezas.
Não coloque-me em tuas regras.
Serei a taquicardia de uma iminente tristeza.
Chame o enfermeiro, já que os cúpidos que me atiram flechas são inexperientes arqueiros…
Não gastes tuas poucas rezas a mim.
Não por alguma soberba.
Apenas por este corpo ser o de um frágil homem de esquerda.
De olhar distraído e vazio.
Condenado.
Serei sua causa perdida preferida.
Rosto pálido e esbranquiçado.
Sem imagem ou traço algum de um competente cartunista.
Cale-se e chame o anestesista.
Há apenas o eco do frio.
Defeituoso.
Mas a fábrica não aceita reclamações e muito menos devoluções.
Nacionalista de meu ser, me ame ou deixe-me.
Mas não repito os erros de Narciso…
Este é só um aviso:
Estou impreciso!
Mas, me esforço para dar-te meu melhor sorriso.
Encaro os abismos que me são impostos de frente.
Pulo ou não?
E na oração decorada, quem você é?
É quem eu devo me desculpar?
Ou Quem Eu devo perdoar?
Embala-me no ritmo do teu réquiem.
Pois eu quero repousar.
Honra-me e recite meus poemas.
Esquento-me a cerca de mil abraços frívolos…
Só assim manter-me-ei aquecido.
Sei que de pouco em pouco serei esquecido.
Mas não direcione a mim suas preces.
Venha esquentar-me nesta noite fria, vamos apresse-se.
Fui o vento, a ventania que fazia funcionar as tuas industriais ventoinhas…
Mas agora, apenas sou um menino escondendo-me por trás destas palavras.
Para algum bem maior serei o teu sacrifício, morri por um meio.
Sobre promessas silenciosas de luzes apagadas.
Senhorita Areia, Deixo-te apenas minhas pegadas.
Voltarei para a minha incansável luta para ser um inteiro…
— Reza, Pierrot Ruivo
Quote 13 Jul 63 notes
E eu fora Concebida assim:
Com mordaças e amarras.
Nasci sem escolha.
Ao andar sozinha na rua necessito de escolta.
Desde meu sofrido desenvolvimento.
Fui educada em repressões sem sentido.
Apenas para manter o caminhar em uma linha imaginária.
A ovelha negra de uma bastarda pátria…
Fui educada a não responder.
A abaixar a cabeça e atender:
“Pois não, senhor?”
Tenho que amar um bom moço.
Em roupas de fino corte, alma de esgoto.
Preciso me casar.
Ser a virgem santa de um altar.
Depois da promessa solta.
Estarei fadada a lavar e passar.
Não me “dou o direito”.
Pois ele já me foi concedido desde meu nascimento, ao tornar-me uma menina repousando em sonhos no berço…
Não posso escolher.
O meu pecado capital foi descobrir o meu prazer.
Meus dedos passeiam pelo meu corpo.
Mente impura a fantasiar um homem que me dê a devida atenção e prazer…
Mas afinal, que sensação calorosa é essa tomando conta de mim?
Descobri a masturbação!
Sou a condutora desta canção…
Gozei!
E aprendi a ser livre, voei em um rasante.
Assim me libertei de suas regras.
Agora quero a liberdade que me fora garantida.
Aprendi a aproveitar a vida.
Se dou voz aos meus desejos.
Sou suja.
Uma imunda.
Reles puta.
Então, que assim, seja!
Mas sei que as minhas decisões são a minha cura…
Eu posso aguentar a voz autoritária a me gritar:
“Vá lavar a louça, feminazi”
Os meus pais envergonhados dizem que só é uma fase.
Mas esta é à base de meu comportamento.
Pela luta contínua pela minha vontade.
Fascistas e machistas odeiam-me.
Se tentarem me impedir, o ódio será recíproco.
Será loucura ter fé no humano?
(Este é Fé-minismo?)
Fé que a dor das mulheres irá acabar?
Fé que as feridas irão cicatrizar?
Será tudo uma questão de crer e ser?
— Dissertando E Desmistificando Verdades Sobre O Feminismo, Pierrot Ruivo
Quote 12 Jul 1 note
Esse é o evangelho para as pessoas que falharam em se adequar as normas invisíveis que nos foram impostas, “endireite sua coluna, estique os tapetes vermelhos a conservadora conduta.” No silêncio de sua timidez foram trancafiados, pensaram ser apenas desqualificados para o que é dito pelo senso (in) comum. Cuidado, somos os vulcões aguardando a hora da erupção, dizem que estamos em sono profundo, lembre-se que temos sono leve, abra os olhos e atente-se a todos com aquele olhar temido de determinação banhado a chamas. Remodelaremos os pedaços de corações quebrados para ser a matéria-prima de nossas granadas, banhadas sobre as nossas lágrimas as balas que são disparadas dessa caneta esferográfica podem ferir a qualquer um que usar nos impedir. Talvez, possamos ser considerados estrategistas, pois sabemos o quão afiadas as palavras são, ferem além da carne, deixamos marcas e assinaturas em suas almas. Deixamos-lhe a distribuir sorrisos envergonhados e dentes rangentes, se teu comportamento é um crime, nossa poesia é o promotor de justiça a descobrir toda a verdade a seu respeito. Bem vestidos ou maltrapidos, carregamos o sentir em nossas veias, sorrimos e somos uma agradável companhia quando estamos a morrer por dentro, às vezes choramos, outras gritamos, mas a dor sempre nos renderá boas histórias. Todos nós somos os escolhidos, discípulos dos poetas de outrora, cada um fala por si, somos os nossos próprios messias, mas sempre estendemos o braço a um irmão de escrita. Conspiramos contra todas as probabilidades e acertamos, os deixamos incomodados, se digo que lhe amo é pura verdade, pois sei o peso dessa bela palavra. Apenas deixe-me livre para amar você, se eu for seu, sempre voltarei. Talvez o medo de desmoronar nos impeça de verdadeiramente amar. Chame-nos de lunáticos até perderem as vozes, somos incêndios particulares de nossas memórias quebradas ou não. Os imperfeitos insuportáveis com palavras apropriadas para o momento, os impostores nos odeiam. Somos pugilistas anestesiados, morremos e renascemos, nos bombardeie e viraremos a simplista explosão, niilista e visceral. E que essas palavras não sejam as únicas neste evangelho que nunca estará terminado, mas que seja alicerce de outros próprios manuais e manifestos. Senhores analistas de poesias, esqueçam as métricas e concentrem-se na quantidade de batidas que seus corações dispararem, leiam as entrelinhas e inspirem-se no lirismo que saem da língua de vocês ao lerem as confissões dos meninos e meninas transcritos de escritores.
— O Evangelho Para Os Contestadores De Verdades, Pierrot Ruivo

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