Quote 29 Jul
Ao adentrarem por esta porta, peço a gentileza que se dispam de seus pesados casados e densos olhares, sem máscaras ou maquiagens, encarem todos os acontecimentos a seguir com cara limpa, se forem capazes é claro. O teu inapropriado paladar está em bons lençóis neste momento, afinal você é só mais um rato, assim como todos desta ninhada, tu apenas és o mais jovem monumento erguido aos farsantes, será o centro de toda a atenção, será que saberá lidar com toda a atenção? Este banquete está saindo-me muito bem, estou a destruir e jogar com todas as tuas aspirações nada clássicas, me dê malícia e frases consagradas, lembre-se que será novamente batizada ao som de teus folclóricos enfeites, sobre as linhas de minha inspiração, tudo ocorre de acordo com o plano. As listras brancas em calças negras aguçam o desejo dos feshionistas para um tiro um tanto doce, no banheiro eles vão juntos. Na varanda, ela está a chorar dentro de seu copo de gim, puxa um cigarro para matar a ansiedade e também a saudade. Se este cigarro em seus doces lábios serve para que tu se esqueças de mim, então lhe serei uma nova espécie de câncer, a lhe roubar a vida, de meu escarro você verá o desabamento de seu sistema imunológico, sou imprevisível, os remédios não podem interferir, suas células logo serão infectadas. Tu não suportas a minha nova autoestima, isso lhe corrói, posso ver nesta respiração ofegante, leio-te os lábios à distância e respondo, minha recém-confiança é devido a uma grande mudança lírica projetada contra teus frágeis ouvidos, vá ao banheiro retocar tua maquiagem e não se esqueça de esconder as lacunas que o tempo absorve de ti. Tu és uma linha sussurrante, simples ovelha a seguir o que vê por aí, a moda é decadência, absurda vem e vai e tu nunca estás nos conformes. Retoque-se com blush e delineador, suspire e infle seu ego, estás pronta para ser o assunto em pauta desta noite, antes de sair do banheiro, debruce-se diante a janela e puxe o fumo de mais um cigarro, mas use o especial, aquele banhado a nitroglicerina, para fazer a dor que sangra recuar. Tendencionada a aderir a muda de perder o pulmão, está aqui ou ali, não importa seu destino já está traçado rumo ao alçapão. Serei o teu novo câncer, mas não de forma cardinal, organizada em uma dúzia zodiacal, apenas de uma forma muito mais fatal. Sua companhia soa tão furtiva, certamente não pertence ao holofote que você almeja para si, juntamente com você e está a ser alvo fácil da língua certeira de todo à crítica, hoje à noite tu finalmente adquiriu pra si toda a atenção, tornando-se o centro do furacão, mas minha querida, isto não é fama, é muito pior que isso. Dizem as boas línguas que está a afundar em um nome sujo, que estas roupas de fino corte são apenas cortesias por testes e entrevistas restritamente revistas aos “negócios”, a crítica é maldosa, nós sabemos disso, são boatos verdadeiros. O que se pode fazer quando descobrem todos os segredos sobre você? Os mais novos ricos não são bem vistos pelos poderosos dessa capital, também entre na dança e faz o escárnio de você mesma, teça alguns comentários engraçados e projete um novo alvo, agrade a todos estes sarcásticos.
— Eu Sou Uma Má Notícia A Você, O Soco No Estômago Batizado Com Um Dedo De Prosa - Pierrot Ruivo
Quote 28 Jul 32 notes
O cosmos e o teu olhar.
Pelas estrelas a se destacar.
Na terra.
Corvos planando.
Junto de meu amar.
O céu é dos anjos.
Não dos sem propósito.
Não fora feito para nós
Tu não me enxergas.
E isso me dói
Serei eu tão transparente quanto teus lençóis?
Rosto incógnito.
De branquidão hospitalar.
Simples borrão abarrotado de ar…
Nada lhe Serve a astrologia.
Se apenas retira-lhe piadas sem graça.
Não há mapas, mas sim uma tentativa de melhorar a caligrafia.
Camisola de cetim.
Promessas rasas
E um Amor de festim…
Não deixa marcas.
Não salva.
E muito menos mata.
No meu peito, o eterno queimar de mil brasas.
Mas não é a ti, Porcelana.
Meu afeto não é medido a preços ou barganhas.
Paralisia.
Síndrome de narciso.
Não tem problema algum em ser indeciso.
O impreciso sonha com o paraíso.
Em fazê-la disparar o riso…
Narcolepsia.
Gula.
E Hipocrisia.
Tudo, em um só corpo…
Onde se vê gula também reside à fome?
Para o pecado não há identidade, não há sobrenome.
Suicida estirado na avenida.
Autópsia comprometida.
Pelos erros de cálculo da polícia.
Sou o sonho, não o seu contrário.
Viajo no tempo, de primeira classe como um empresário.
Quiçá um emissário…
“De quem ou dê que?”
Eu não sei!
A cidade iluminada.
O reflexo de sua imagem está desbotada.
Assustem-se, os novos reflexos da cidade falam a verdade.
Eu sou a embarcação que peregrina por entre todos os mares de olhares gélidos…
Mas não necessito mais do vento para me guiar, inflando as velas.
Este inverno está sendo ruim pra mim, mas ainda sim, não preciso do teu nostálgico sabor de canela…
O rei de espadas declarou:
“Os inocentes são os governados e os culpados são os desinteressados”
Atravessado sobre o rio de sangue, pisando sobre os restos de lirismos esfacelados…
— Sui Generis, Pierrot Ruivo
Quote 27 Jul 4 notes
Em um estúdio de paredes azuis claras está você, animada com uma câmera fotográfica, a tirar-me pequenos retratos, eu a frente de um fundo branco seguindo todas as ordens que você dá, “estique a costas e eleve o queixo”, você me diz e assim eu o faço. Nós dois negamos com maestria, mas está muito clara situação, a tensão sexual que paira sobre nossos olhos, que deliberadamente, entregam-se de forma mais ligeira do que a própria carne. Do lado de fora está o clima propicio a isso, tempo nublado abençoado por uma garoa fina e contínua. Damos uma pausa na seção de fotos, tu indagas-me sobre minha profissão e como cheguei ao desejo de ser escritor, de imediato respondo que nasci para a poesia, assim como ela nascera para mim, um tanto arrogante eu concordo, mas era para ser dito desta forma, imediatamente lhe pergunto sobre a fotografia e seus livros favoritos, dos quais um eu pude espiar, um velho Dostoievsky em cima de sua escrivaninha. Ela diz-me que sempre fora apaixonada por fotografia, desde que ela se conhece por gente e sobre Dostoievsky, ela dizia que a escrita dele lembrava-a muito de sua vida, com sabores nostálgicos em sua boca. Oferece-me um café e eu aceito, agora o silêncio domina todo o ambiente, devoramos o café com a volúpia e a luxúria em nossos olhares. Voltamos às seções de flashes, ela tenta agora uma forma diferente, chega até mim, muda o penteado de meu cabelo com suas as finas mãos, assim por olhar naqueles fundos olhos castanhos o desejo rouba-me o corpo, arranco-lhe um beijo de surpresa. O que por sinal, já era esperado por ela, tu sorri e retribui, nossas línguas se encontram e ficamos neste movimento até um roubar o fôlego do outro por completo. Libertamos-nos de todos os pudores, lhe despi daquele vestido solto, mas que ainda sim marcavam suas curvas, deixei-a de calcinha e sutiã e ela começou a despir-me de forma lenta, então a ajudei e tirei o pesado casaco e a camisa, aos poucos ela abaixou o cinto e sentiu meu membro guardado, em face despida e com o desejo formigando no olhar ela olhava-me, subiu novamente e começou a beijar meu abdômen enquanto a mão esquerda acariciava com todo o cuidado o meu sexo e a direita fazia-me caricias na nuca, enquanto nossas línguas se entrelaçavam. Num súbito movimento despiu-me da única vestimenta em que eu encontrara, abocanhou-me o sexo em um vai e vem sem fim, boca quente e lábios macios, namorava o meu membro mais do que a mim mesmo. Ao sentir o gozo a caminho, a puxo pra cima, retiro-lhe um beijo e a deito no chão, a dispo de suas últimas vestimentas e beijo cada grama daquele corpo desnudo, ela me empurra em direção a sua cona, está tão desesperada para sentir minha língua a invadindo, mas despisto passo perto e rumo para suas coxas grossas. Até que de surpresa lhe invadi a cona, sinto teu corpo inteiro a se arrepiar, testo teu clitóris, olho-te e tu sorris, eu abaixo a cabeça e os movimentos de minha língua se intensificam, ficamos nesta dança até você começa a intensificar os teus gemidos e tu gozas… Uma, duas e também têm tempo para uma terceira vez, tens o melhor dos orgasmos como há tempos não tinha. Caída e trêmula, tudo o que consegues é puxar a sua câmera para si para bater um retrato desnuda e pedir-me uma bela pose, para uma última foto. Assim o faço. Vestimos-nos, eu vou embora e vejo em um canto qualquer desta sala, um painel com outras fotografias de rostos desconhecidos, apenas marcados com seus nomes e um único título: “meus prazeres secretos”, cada foto com um respectivo nome abaixo, vejo um espaço em branco para uma nova foto, mas o nome já está escrito e é o meu…
— O Puritanismo Não Fora Feito Para Os Fotógrafos Que Sofrem De Abstinência, Pierrot Ruivo
Quote 26 Jul 2 notes
Seu sorriso ensina as estrelas como elas devem se portar frente aos desconhecidos, na postura de um eterno brilho. Tu fora uma excelente professora das estrelas, elas lhe obedecem e lhe detém o máximo respeito. Tuas sobrancelhas demonstram a arquitetura presente nas ondas deste vasto mar, que tu não cansas de admirar, uma pena que o sol não fora feito para ti, pois tu em uma praia deserta, abaixo do sol, admirada ouvindo às ondas debaterem-se em pedras são a imagem de uma fotografia perfeita. Uma dúvida me surgira há pouco tempo, afinal tu és mãe natureza? Já que todos os canários do mundo parafraseiam o belo som de tua voz, professora das professoras, assim como tu progenitora. Seus lábios tem o gosto das frutas mais maduras e doces que os especialistas e chefes de cozinha tiveram a felicidade de provar, abençoados foram os seres que por ti arrancaram suspiros, beijos calorosos, convidativos e muito molhados. Amar-te assim, de longe talvez pareça cansativo, confesso que em alguns momentos é, mas também confesso que é um dos maiores prazeres que tenho em minha monótona. Olhar-te e saber que está a amar outro coração que não o meu me dói, da dor mais funda e pulsante, sei que doerá por mais de mil dias, deixando marcas de sangue e fazendo-me gastar fortunas em curativos, mas também sei que um dia quando eu menos esperar, vai passar e assim encontrarei-me curado. Se me permitires dizer-lhe um conselho, eu digo que permita-se sonhar teus sonhos e transformá-los em realidade, um posso a cada passo que tu desferir as areias do tempo. Dance enlouquecidamente na multidão sem alguma música, seja tu mesma a coreografa de tua dança inédita, gargalhe à vontade, mostre seu céu da boca por aí, ria até ter câimbras em seu interior. Germine a vida por frestas que tu pisar, mergulhe de roupa no mar e ajude a todos aqueles que de ti vão precisar. Eu quero dizer-te, que tu foste e és o meu amor mais vibrante que já tive até aqui, és também o mais sincero em meio a toda a irracionalidade do amor, se o mesmo for doença, então estou feliz em ser um doente sem cura e mais contente ainda estou por tu ter sido infectada mesmo que não sejas por mim. E teus olhos são os espelhos de todos os sonhos que tive, assim como as curvas de seu corpo são as prosas que tanto rabisco a ti. Vais, ame a quem puder e quiser amar, não me espera, vais de peito aberto a tua incansável procura de felicidade, se ao descobrir de meu amar e quiser reduzir a velocidade junto de meu caminhar, espera-me completar a minha volta e esteja na linha de chegada a me aguardar, não te afobe eu não tardo a chegar. Guarde-me o teu melhor cafuné e esqueça-se das notas de rodapé…
— Amo-te De Janeiro a Janeiro, Por Um Ano Inteiro, Quiçá Uma Vida  - Pierrot Ruivo
Quote 25 Jul 1 note
Olhares inocentes de doce menina.
Por onde pisas destila a ironia.
Que escapa desta língua.
Batizada pelo destilado.
Seduz.
E ataca o novo alvo amado.
Dê pérolas para quem tem fome.
Pão e vinho, para os admiradores sem nome.
Circo e números exibicionistas para quem almeja ser artista…
Viúva negra faminta pelo sexo alheio.
E se for descoberta?
Nega!
Mais uma lisa desculpa enterrada no cemitério de suas verdadeiras intenções…
Almirante de embarcações e colecionadora de frágeis corações.
Vende-se pintada em glória.
Mal sabem os atentos ouvintes.
Seu beijo, é o sabor da derrota.
Dão-lhe tudo que é pedido.
Joias caras e roupas de marcas.
Mas seu desejo agudo vibra pela fama.
É uma simples soma.
Oferta-se na cama.
E em troca, torna-se um feixe ligeiro de chama.
Tu és a mentira em um vestido preto apertado.
Lhe pergunto.
Sem o cetim.
Poderão as suas companheiras suportar ficar perto de ti?
Seus feitos deliberados.
Não são refletidos de fato pelas imagens que residem no banheiro…
Carece de atenção.
Necessita de alheia admiração.
Ego frágil, dizem algumas em um silencioso burburinho.
É cárcere privado de seu sonho.
Está fadada.
Condenada…
Ao dormir se vê como antônimo de tudo aquilo que foi pregado…
Diga-me em seu raivoso tom de voz.
Como é o seu amado?
(Talvez, futuro algoz)
Um cavalheiro solidário?
Ou mais um peixe do oceano capturado, presa fácil para teu aquário?
A arte da sedução vai além de despir-se.
Para quem tem olhar fatal, meio piscar já basta.
Por todos ser notada.
Você é um clichê ambulante.
Cheia de faces e frases consagradas.
Exalando o cheiro de um perfume viciante…
— A Mentira Sobre O Delineador, Pierrot Ruivo
Quote 24 Jul 1 note
Olha-me o rosto e tudo o que conseguirás distinguir são uma única dúzia, organizada em cardinais com lanças grandes que perfuram, demarcam a passagem do tempo e mostram a vontade de Chronus. Ando em ciclos, sempre no sentindo horário, pois este é meu trabalho, se por ventura eu fizer ao contrário, serei nomeado de defeituoso, assim os senhores descartarão-me ao lixo mais próximo. Sou eu que exemplifico as ramificações de sóis e luas, há inúmeros modelos e nomenclaturas, alguns ficam nos bolsos escondidos, já outros foram feitos para serem exibidos nas ruas. Não importa o design, mas sim sua função e isso, todos nós executamos muito bem. Pode procurar o treze o quanto quiser, nunca irá achar, apenas com a ajuda de somas achará. Talvez eu seja mais um supersticioso, guardo trevos e cílios, ferraduras e bilhetes pisoteadas de loteria, sempre faço simpatias para sorte sorrir a mim, mas ela nunca sorri de volta, não sei o que se passa por aqui, ao azarado que se traveste de mim. Nunca deixe passar as prestações de carnês, que detém o monopólio de tudo aquilo que tu pensas ser teu, fruto de teu suor mal gasto, gastas energias para pagar as contas de outros e aperta-se para poder pagar os seus próprios deslizes. Sempre lembre-se de pagar primeiro ou a bola de neve crescerá e não se esqueça dos terríveis aumentos em janeiro. Para seu amor desfilar por sujos ladrilhos com a moda abraçada na carne, dê o cartão de crédito e sua senha, mas se contenta ao final do mês a surpresa deixará-te de queixo caído. Para mim, não se esqueças de comprar pilhas recarregáveis, ou lhe consumirei muito tempo com idas e vindas para lojas de departamentos, deixa-me sempre um pacote reserva, nunca se sabe quando um eletrônico pode se despertar e pedir demissão, não é? Nos preceitos de seu fim de semana sou amado, em monótonas segundas-feiras sou odiado, mesmo assim tu não podes viver sem mim, eternas brincadeiras de bem me quer e mal me quer, “me dê um pouco mais do teu tempo”, eles dizem. Risque da tua lista o teu cavalo de corrida favorito, risque-se e exiba por aí as chamas que saem de ti, mas lembre-se, o apagão é eterno e sem volta, agora és amado, depois descartável. No fim somos o mesmo esqueleto de engrenagens rangentes, seja sustentado por pregos, pulsos ou telas de multiuso…
— O Relógio, Pierrot Ruivo 
Quote 23 Jul 1 note
Virei mera decoração desta casa velha, um suvenir a esperar a mão certa, para levar-me para cara, uma peça escondida no leilão esperando ser arrebatado por um olhar clínico e certeiro. No limite de todas as causas eu caminhei, pude saborear a comemoração do troféu de número um algumas poucas vezes. Sei que existe amor correndo pelas tuas veias. Mas ao ser arremato, passei de casa em casa, de estante em estante, presente repassado a quem jamais pode consumir. Juras de despedidas como bocejos de bom dia, escapistas e milagreiros dizem ter a cura para mim, apenas insista e tome estas milagrosas pílulas, dizem eles. Não há vitória ao ser o herói mais desconhecido entre todos os homens, das trincheiras serás adubo para o crescimento de novas flores pregadoras de paz, um simples tiro de raspão é desculpa para uma condecoração. Façam em mim as tuas minuciosas autópsias. Abram-me o peito e afastem-me as costelas, assim verão o ciclo de meu coração, vivo e pulsante em vermelho e seus semitons. Veja o deserto de meu estômago largado ao pó, deserto de alimento seco, deixado às moscas. Aqui residem as serpentinas de esquecidos carnavais, já mandei cartas de amor, hoje envio apenas fax e pedidos de autorização, resgata-me da condição que estou, chuta-me o peito e deixa que as areias do tempo encarreguem-se de cobrir-lhe o pequeno deslize. Peca-me a dor, sinta o peso em sua consciência e não culpe a mim por qualquer decisão. Omiti verdades e assim destruí-me por completo, as pilhas e mais pilhas de poemas já não fazem-me o menor sentido, não consigo mais identificar nenhum eu lírico, apenas um menino lançado em direção as arestas do esquecimento. Para o ombro amigo eu deixo as filhas que uma lágrima possa surgir, cuide muito bem delas. Dê pão para quem está faminto e distribua vinho para quem está tímido e sozinho em algum canto. Homens decentes nunca andam a sós em madrugadas no subúrbio, dão-se o respeito próprio, são tão prósperos e independentes. O meu eu pertence a uma pequena parte de seu coração, assim trazendo o conjunto de umas das partes de sua confusa religião. As penas de seu travesseiro amassados por terríveis pesadelos são mais certeiros que seus beijos embriagados, passe batido pelas entrelinhas e entregue a quem quiser entrelaçar contigo, mergulhar de cabeças em azulejos de piscinas rasas, adquirindo como prêmio um traumatismo craniano e um eterno coma, que sabe assim poderá ser feliz como sempre quis…
— Vamos Falar Sobre Todos Os Meus Erros Capitais, Pierrot Ruivo
Quote 22 Jul 1 note
Quero ser o causador do seu suor esta noite.
Venha com seus dentes em condição de foice.
Mordendo-me arrancando a carne e leves suspiros inseguros…
Olha-me com estes olhos soturnos
Deseja-me.
Beije-me
Dispa-me e em seguida dispa-se lentamente.
Das vestimentas e pudores.
Por esta noite serei todo seu.
Tu sabes que sou uma causa beneficente.
Mas ainda sim, aos teus planos sou eficiente…
Faça-me sentir arrepios nos ossos.
Desculpas clássicas não podem nos salvar.
Vamos nos salivar e nos beijar.
Sobre a elipse de nossos corpos desnudos vamos brindar.
Deixa-me ser a extensão de seu corpo.
Maestro de teus gemidos.
Da corda vocal, serei o som rasteiro de um dó sustenido.
Talvez, eu seja um menino perdido no pecado de ti, apenas em teus mistérios entretido.
Com a ajuda de meus dedos levarei-te a estrelas.
Não como aquelas dos jornais.
(Essas são apenas buracos negros vazios)
Meras criações artificiais.
Falo de constelações que foram descritas em antigas canções.
Linhas cruzadas para curvas perplexas.
Somos a faísca que faz tudo incendiar
Tire o seu jeans.
Ou a cidade explodirá.
Usarei tua pele pálida de enredo de minhas histórias.
Tu se conseguires se concentrar, desenha em minhas costas tuas próprias glórias.
Guarde todas as palavras repentinamente disparadas.
As guarde no fundo de sua memória.
Controla-me e eu serei o teu servo mais obediente.
Um simples amante de aluguel a cumprir os pedidos de seu cliente.
O meu preço?
Não o considero caro, apenas raro.
Dê-me um punhado de afeto.
E em meus poemas terás uma linha só sua.
Tudo extremamente discreto.
Controlo-te se assim o seu desejo o for, meu sexo está a seu dispor.
Não nos entregamos de miséria, não somos como os muros gélidos da Sibéria.
Tua língua me excita.
Quero afogar-me e corroer-me em grandes doses desta bebida lasciva.
Provoca-me aos teus lentos movimentos.
Mescla tua luxúria com beijos calmos, quentes e intensos.
Trêmula por um intenso orgasmo, cole em mim.
Assim como meus lábios colam em ti.
Quero teu pulsar, o teu breve amar.
No escuro vemos quem são os impuros.
Seus lábios são o último gosto que eu quero me lembrar ao adormecer.
E quem sabe, com nostalgia ao acordar de ti irei me recordar…
— O Complexo De Deus É Acometido Em Quartos Escuros Com Ar De Profissionalismo, Pierrot Ruivo
Quote 21 Jul 2 notes
Tu me verás.
Mas de nada irá adiantar.
Sei muito bem, que não podes mais me amar.
E isso lhe incomoda, nunca compreenderá.
Olhará no fundo de meus olhos?
Pode tentar o quanto quiser, apenas enxergará a penumbra de mim.
Olhará estás palavras com empatia, mas nenhum significado para ti terá.
Não amará o lirismo que fora ao coma induzido.
Sei que nunca se importou.
Não se preocupe.
Faço-te agora uma confissão:
Fui mais da tua confusão do que de seu amor.
Não me abraçará jamais…
Fui trancafiado na ilha de alcatraz.
E jogaram fora a chave.
Não há Malvinas para nós dois.
Deixe as desculpas para a missa de sétimo dia, deixe para depois…
Tu com teu sotaque inglês.
Jamais se encontrará com o meu tango argentino.
Seu carinho é uma piada sem graça, o escárnio do eufemismo.
(“Torcia tanto por vocês”, nos dirão)
Nesta eterna queda de braços jamais acharemos um único culpado.
Um súbito encontro no metrô,
Se transformará em um conto de horror.
Enredo, digno de Poe.
Finalizando em uma morte lenta e dolorosa.
Sempre fui um bom ator, mas por favor, não me venhas pregando o calor em veste de carência.
O que vocês leem são o resultado de nossa decadência.
Prefiro as correntes de ar gélidas a chicotear minha fuça.
Talvez estas palavras sejam uma nova forma de agressão.
Nada mais do que justo, não é?
Já que tu surraste o meu coração.
Tenho que me esconder, não sei se isso algum dia importará para você.
Seremos dois desconhecidos que já tiveram momentos íntimos.
Recordava do som da tua voz como um mantra, hoje ela não passa de um tiro violento desferido contra meu peito…
Sem aviso, sem preceito.
Não há ninguém para ser eleito.
Apenas eterniza-me nas histórias que você conta de copo em copo.
Língua fazendo curvas em outras bocas, para amanhecer com gosto de ensopados guarda-chuvas.
Refaça tuas juras de esquecimento.
Sobre a imagem de novos santos midiáticos e tua imagem alcoolizada refletido no espelho do banheiro…
— A Anedota Dramática De Metades Subjugadas, Pierrot Ruivo
Quote 20 Jul 2 notes
A boca encontra-se seca, parece até um viajante no deserto, mas logo a temperatura cai e a boca se racha. Não há mais dias, apenas noites esticadas e eternas, escuridão, o que clareia o ambiente são apenas os vultos das lanternas de carros que passam por minha janela. O relógio marca seis, mas há algo de errado comigo, nada sinto, movo-me, mas não o sinto, o relógio está marcando seis da manhã e eu ainda não consegui pregar os olhos, eles estão estatelados. Serei eu um navio naufragado do mar em que incansavelmente habitava? Meu lar tornou-se minha cova? Tenho-me ouvido cada vez menos, tentando ignorar o que meu corpo grita, a única coisa que ouça é a sua voz leve dizendo-me em tom sério um adeus, sem alguma razão, um adeus e suas reticências. Meus olhos veem apenas o teu rosto refletido nestas paredes brancas, assim como a curva de seu corpo pálido. Queria eu viver o meus sonhos por todos os dias, sendo refém de teu amar, desbravando os teus perigos e tua segurança frente a um céu fechado em uma possível tempestade. Mas não me preocupo muito, os ventos sempre sopram as nuvens carregadas. Os ventos sempre sopram as nuvens carregadas? Isso me relembra frases consagradas de livros de autoajuda. Dei-lhe tudo o que me pedira, meu céu e meu fel, desisti de minha música, ideais e bandeira. Dei-te minha fé e meu Deus, tu me respondeste que precisavas de pão, também lhe alimentei com ele. Mas encontra, apenas obtive seus muros frios e úmidos, de troco recebi um saco velho com moedas mais velhas ainda, moedas sem algum valor que foram retiradas de circulação, em certo ponto talvez eu entenda sua caridade, mas o que de fato eu queria era teu calor, não objetos de valor. Ia até ti, tu desviavas, trouxe-lhe flores, você as recusava. Ofertei o meu só, você me vendeu a fantasia de tua cidade fria. Delimite as fronteiras de minha prisão e assim, saberei aonde chamais poderei pisar, já que por todo este campo está minado. Mas não te preocupes, não deixe-te a vida pesar sobre os olhos, na mesma estação em que nos conhecemos nos desconhecemos, assim façamos um trato, cada um contente-se com a condição que é, você uma viciada no obscuro e no inseguro, já eu mais um folha caída desta árvore…
— O Relógio Marca Seis, Mas Mesmo Assim Não Consigo Pregar Os Olhos - Pierrot Ruivo

Design crafted by Prashanth Kamalakanthan. Powered by Tumblr.