Quote 30 Sep 1 note
Pudera eu ser tuas sapatilhas, sentir o roçar de teus delicados pés em minha palmilha, dar-te proteção para que não sujes ao caminhar pelas ruas mais sujas desta cidade. Pudera eu, ser o objeto de teu desejo latente, exibido em vitrines, corando-me por sempre ser foco de olhares gananciosos, grandes e em tentação. Estive a esperar-lhe, assim, como que nada quis tu passaste e me vistes, adquiriu-me por um leve impulso. Exibes-me para tuas inimigas, desfila para provocar a raiva de tuas inimigas. Sei bem que não serei único, este amor será dividido com outras tantas sapatilhas de inúmeras outras formas e cores mais atraentes do que este vermelho desbotado que encontro-me ao olhar de frente para um espelho no térreo. Logo serei usado cada vez menos, esquecido, por fim descartado e assim outras mais brilhantes cor me substituirá, para lhe sustentar neste verão nada agradável. Pudera eu ser o delírio de teu desenfreado consumismo? A ternura de algo inalcançável, de mês em mês, contastes e guardaste teu suado dinheiro para obter-me, mas há outras vitrines para olhares, liquidações para fartar-se os olhos e esvaziar os bolsos. Rápido meus caros vendedores, facilitem a forma de pagamento para que eu possa ser adquirido por minha amada, serei o provedor de calor aos delicados pés que sofrem por andar, trago-te alívio no fim de semana, não precisas mais usar grandes saltos, não precisas manter a postura, apenas relaxe coloque-me vamos dar uma volta no mercado da esquina. Use-me e abuse-me, a primeira vista, posso soar-te tão belo, mas com o passar dos dias renderei-me ao cansaço e verás o nada habitual que sou, posso ser belo, mas apenas por um breve momento. Maldito é o poeta que escreve, mas nunca fala, calado permanece, enquanto a verdade lhe corrói, o peito queima e os olhos gritam e imploram, mas este idioma está morto e é indecifrável para olhos que nunca param no mesmo lugar. Maldito o poeta que deseja secretamente ser a sapatilha, mas tem medo de sequestrar o amor da bailarina do concreto, nada pronuncias, apenas cultivas expectativas que claramente não ocorrerão como em sua fantasia…
— A Sapatilha E A Bailarina, Pierrot Ruivo
Quote 29 Sep 1 note
As molas repuxam:
“Plim!”
O gatilho é puxado.
E a bala vê a luz
Rasgando o céu de norte a sul…
A bala é visita indesejada.
Perfurando a carne fraca.
“snach”
A bala não respeita ordens.
Destroem as platônicas miragens.
Vai em linha reta.
Sem meia volta volver.
Entra em tua casa sem girar a maçaneta.
Visita indesejada…
Sofrer para esquecer.
Entretanto, não quero deparar-me com a chegada do futuro…
A bala encravada é ciumenta, jamais abandona o atingido homem.
As sirenes julgam-se incapazes de salvar moças e rapazes.
Em lamentos choram:
“Bleeeeeeem!”
Qual é o “eu te amo” do mudo?
Qual é a falácia sonora do surdo?
Mais um ricochete a tirar vidas.
Nas sobras de tiroteios,
Poetas caídos a chão elaboram seus finais sonetos.
“Clack bum!”
Risque da lista um nome a menos.
O teu tédio, é o sonho médio.
“O mayday é alguém que evitar sair de casa, dá ouvidos a voz que lhe arrepia um amém”
Não há autópsia.
Eles nos olham nos olhos com desprezo.
Organizam a nós a pior das eutanásias.
Espreite-se pelas ruas.
Atire-se ao chão, finja que não viu.
Enquanto todos enlouquecemos…
Sou o complexo frio de um tiro.
Contrarie-me e lhe arrancarei da existência.
Destruirei a tua tão conservada aparência.
Mas uma vida tirada por um fuzil.
Salvem-se da pátria amada Brasil…
— Onomatopeia do Realismo Das Ruas: Bam! - Pierrot Ruivo
Quote 28 Sep 32 notes
Vejo-te no escuro
Meus olhos nada fitam além de ti.
Estás desenhada nos muros.
E nas fantasias de outros senhores.
Daqueles que tu mal se lembrarás dos nomes.
Enxergo-te em cada detalhada caligrafia.
Em consagradas poesias.
Sinto-te por entre rimeis e perfumes.
Ouço-lhe ecoar, assim como este salto que tu estás a desfilar.
Beijos e antiácidos podem lhe salvar…
Nas ruas que não passo mais, tu és figura carimbada.
A mulher dos olhos do mundo por todos é amada.
Eu também posso ver a lua tão pouco percebida.
Assim como você, detesto as despedidas.
Mas o que é que estamos a fazer com nossas vidas?
Todas tão programadas para rodar e cair…
Por nervosismo, compele-te a simplesmente rir.
Rir das tragédias e se apavorar com comédias.
Teça as normas para os costas largas…
Vejo-te transpassada em meu delírio.
Enxergo-te entrelaçada com meu lirismo.
A minha fome de amar, apenas tu podes sanar.
Prevejo tua pele lisa a passear por meu querer.
Teu nome está sendo proferido nas estranhas entranhas de meu ser…
Na lista estou no último lugar, como poderei ao pódio voltar?
O que falar se apenas três palavras pulsam em minha garganta?
Teu sorriso deixa-me com esperança.
A voz sempre encanta…
O desenho de ti sempre está em relevo dentro de mim.
Toque-me e encare-me por meros segundos.
Assim, poderá sentir.
Poderá o meu corpo suportar o pior e o melhor de dois mundos?
Meus lábios estão esperando o teu amanhecer…
— Eu Volto E Revisito, Mas o Meu Amar É Tracejado Do Teu, Pierrot Ruivo
Quote 27 Sep 1 note
Tu vocifera revolução ao teu patrão, mas ainda continua a cometer os mesmo erros e não vês o caixa dois que teu gerente está armando. Pede revolução, mas a tua lista exigências são muito vagas, queres o direto de estacionar teu carro importado em todo o lugar. Implora por calma em guerras civis, esnobe-se das verdades culturais, mas em seu íntimo almeja tornar-se mais uma constelação de rápidas e ligeiras estrelas. A minha liberdade de expressão causa-te nojo, minha cara? O discurso escorrido do vão improviso lhe assusta, consulte os astros antes de decidir o próximo passo. Você mesma prefere distribuir os papéis de heróis e vilões, mas eu deixo-te de aviso, não há sensacionalismo televisivo que demonstrará que está certa, esta condição habita dentro de nós e sempre habitará. Aos viciados, não saquem suas câmeras em qualquer momento, corras e salve-se do olho de todo o furacão, o predador está faminto e você é apenas um cru tira-gosto para o prato principal. Teu drama hollywoodiano não causará dó a ninguém, melhore teu fraco enredo, ele está muito raso, encorpe-o com as verdades que tu tanto escondes. Você está a poucas moedas de ter o teu desejo realizado, apenas atente-se bem em qual poço dos desejos depositará todas as tuas esperanças. Abrace o primeiro corpo morto que teus olhos visualizarem. Agarre-se nele e aproveite a viagem, ridicularize aqueles que não lhe seguem, e os teus fiéis despreze. Ao teu amar, sou peixe sem oxigênio, perdido a espera de seu derradeiro fim. As revistas não possuem mais um manual de instrução da vida perfeita, o labirinto de nossas vidas está mudando, de nada mais adianta gravar caminhos antigos e alternativos para o santo graal. É tênue a tua linha entre a fama e a lama, máscaras e filtros fotográficos agradam aos ditadores da felicidade, hoje há razão em ter delírios e procurar a carne quente, mas amanhã não se sabe. Suave bailarina do concreto, o teu bolero, destruiu-me em metades desiguais, encontro-me esparramado pela cidade, a lamentar a todas as entrelinhas costuradas e grifadas. Após esta noite, serei tão dissonante a você, um mero poeta decepcionante, mas eu sigo de peito aberto enquanto o bumbo soca-me em batidas ofegantes, ecoa por todo o meu ser a declamação deste inconsistente “eu”, aprendemos que cada um de nós carrega consigo o seu caos particular…
— Toda a Campanha Mal Elaborada De Tua Imagem, Pierrot Ruivo
Quote 26 Sep
Perdoem-me os erros ortográficos pais do saber, perdoem-me esta grafia feia, feita para nunca ser lida, escondida em cavernas, esqueçam-se de mim e minhas metáforas nada habituais, tudo está tão desigual que não sei por onde começar. Sinta ódio, sinta repulsa, sinta indiferença, apenas sinta, deixe-me de lado, sou tua vergonha e agora tu és pertencente ao celebre grupo dos que viram a noite de ponta cabeça, vamos ver até quando você permanecerá com essa condecoração. Não posso mais trazer-te alguma novidade, não acrescento mais nada a você, fora descartado como todos os outros que dizem amar você. Perdoem-me as rimas sujas meus carros pais do conservadorismo, se não gostarem podem ir dormir na casa do ladrilho de vidro. Paradoxos que vocês não entendem são munições para meus ensaios orais, mas quem ouve sabe bem que a loucura e a inveja esta a habitar os teus frágeis ouvidos. Poetas esfomeados brigam a tapas por uma inspiração na terra dos sonhos, sem natal para você, tu não fora um bom menino, o que fazer se a novidade é apenas mais um maço puxado desta cartela de cigarros? De ceia o que tu queres, podes dormir ao saber da cruel verdade? “Mas é claro que sim, não cheguei até o topo da cadeia alimentar para desistir”. Desejam corpos para si, egoístas desejam somente um único amor de forma frontal, nada de cumplicidade, apenas reina a impaciência nesta terra de narciso. Apresente tua fala neste tribunal, dê teu testemunho inconsistente, teus ácidos comentários não se tornaram tua arma, pois devoro ácidos com a fome que me fora instigada. Liberdade para quem carece de sono, insônia é prejudicial a todos, incluindo vocês, meus caros poetas. Perdoem-me caros pais da experiência, não tenho rugas ou traumatismos a pesar contra mim, mas muito já vivi, deixai-me de lado, deslocado e derrocado. Logo o vento fará com que vá para longe das arestas de tua memória, deixe-me ser esquecido meu amigo, de paz é o que eu preciso. Dizem que o esquecimento trará-me-á sossego e é isso que meu corpo insosso implora dia após dia, em todas estas tentativas de poesias, necessito de descanso mental, pois lutei batalhas das quais não me lembro mais.
— Sou Tudo Aquilo Que Tu Queres Que Suma, Pierrot Ruivo
Quote 26 Sep 3 notes

Palhaços rudimentares dormem em sono de embriaguez
Mas ainda sim, seguram firmemente a garrafa de uísque escocês
A saliva que escorre pinga a alma em acidez
Da felicidade és a amada escassez

A toda cegueira e a devoção serão afluentes do verdadeiro amor?
Espreita pela perfeição aos teus conceitos, enquanto isso não acontece consente-se com todo o disponível rancor…
Todos a ti nomeiam a rainha de todas as belezas
Mas será que só eu vejo estas lágrimas embriagadas em tristeza?

O efêmero é simplesmente perder o precioso tempo
Amor, a ti não mais retenho, quieto me mantenho
Seu discurso soa como a tentativa de um prazer caprichoso, tão detrativo…
Comportamento doentio para este tão olhar tão ambíguo

Qualquer prêmio é a lançada sorte
Escolha bem e aponte seu dedo para o cavalo que tiver o melhor porte
Ame-se por um puro e recordista esporte
Quando enjoares, falece para luzes brilhantes de neon, mas não esqueça-se de seu passaporte…

Olheiras insanas de insônia
Romances rompidos nas esquinas da Vila Sônia
O vício do cigarro discorre o charme
Chamem o alarme alarmado pelo enxame

Maldita cidade que não ventila
Maldita cidade onde a estrela não brilha
Na Augusta são jogados os jogos de olhos nos olhos
Pula rodam como dados viciados enquanto línguas se embaraçam…

Ela é dona da ampulheta
A vejo anotando suas metas em uma velha caderneta
Enquanto seu olhar navega como um cometa
A tintura de seu cabelo é a mesma de minha favorita caneta

Aos atrasados que fiquem com a sua poeira
Para tuas unhas negras uma nova afiadeira
Espere o olhar fazer a volta completa e pegue na cauda daquele olhar…
Sabemos bem que são suas lágrimas que ajudam a Cantareira

Ela está intoxicada pelo seu pecado favorito
De seu coração ela é apenas uma visita espírita
Aflita, para si ela mantém o seu grito, seu amor és restrito
Margarida, deixe de ser uma parasita cosmopolita

Seu corpo está se contorcendo, pela dança amassado
O vestido preto encontra-se com o cheiro de um recente passado
Terapeutas temperamentais receitam o endereço de um banheiro químico
Esta noite o que a manterá viva será o contato físico

Tu estás percorrer vielas atrás de algo para injetar em suas veias
Aos seus ouvidos pairam anedotas idiotas e assassinato de provas…
Fantasie-se com o seu fetiche, há tantas maneiras
Logo entrará em pauta a criação e fomentação de novas drogas

Sou um dependente de ti e admito isso sem o menor cinismo
Sei que esta devoção és devassa, sei bem que sou um caso clínico
Não mais uns dos que atreveram-se a amar você, eles estão a se arrepender
Caminhamos em linhas opostas quando o tratado encontra-se no lado político

Há algo de misterioso nesses olhos de heroína
Tragarei um pouco de você em mim ou trapacearei e engolirei um pouco de ti?
Menina viciada em cloro de piscina, não deixes que a solidão seja minha sina
Salva-me desta infernal rotina…

A aspire e encontre a si mesmo intoxicado
Mas este não é o sinônimo de ser amado?
Dou-lhe o que quiser
Quero-lhe absorver, mulher

Desculpas cinematográficas te ligam
Deixe-as na espera, cuidado com os paparazzi que te vigiam
Os joelhos foram ralados
E os comentários abafados

Apenas você repousada
Poderia fazer-me sentir em casa
Nossos lábios não precisam de apresentação
Nossa história não precisa de introdução

Teu toque em mim vale mais do que as palavras
Trocaria elas por ti se esse fosse o caso
Mas sei bem que somos dois fetos do acaso
Duas almas seguindo em estradas opostas

Transcrevo a loucura que me apetece
A falta de tudo aquilo que me carece
Escrevo para que a fineza do finito não deixe-me virar fumaça
Sou privilegiado, nomeado como a mais nova favorita caça.

— Olhos Heroicos Vidrados Em Heroína, Pierrot Ruivo
Quote 24 Sep 1 note
Aos meus olhos cansados e provincianos, tu és sim uma obra prima, fruto desta paixão ingênua, vejo-te como um quadro, uma Mona Lisa, cumprindo o seu papel de impressionar os olhos humanos. Os traços, rabiscos para a sustentação da obra já finalizada. Por noites seguidas, tenho sonhado contigo, no formato de seu rosto a embelezar os proibidos outdoors que surgem a cada semáforo que me é fechado. Vejo-te, sempre em riso, corada, a alegrar-se por minha companhia, sonhos seguem a realidade alguma voz és pronunciada a mim. Você está lá, mas ainda sim tão longe e incansável, tento tocar-te, mas esta é mais uma tentativa pífia minha. Acabo acordando com a saudade de anos, mas a desistência de quinze minutos que nos separação não se quebra, falte de minha coragem talvez. Torturante é ver-te os olhos em desespero caçando alguém para amar, enquanto eu mantenho-me longe das linhas de teus e por vezes, indicando possíveis alvos. Mantive-me firme, enquanto teus olhos me devoram, me instigam e cospem-me, exteriormente creio eu que eu esteja ávido por parecer seguro, mas interiormente, as borboletas convulsionam-se e propagam rebeliões, trazendo-me um desconforto estomacal. Pecado é não dizer-te o quão lindo são os teus olhos e os conjuntos que lhe formão, tuas cabeleiras negras batizadas por algumas tintas para ressaltar o preto, os lábios a esconder de olhos despreparados uma única reticência, que traga-me em transe. As maças desenhadas em sua bochecha, tão maduras e coradas. Fruta doce, assim como a sua voz, que até quando não está calma soa-me tão doce, pele de pêssego abençoada por maresias e luzes do dia a dia. Será minha vitoriosa sina escrever-te de todo o amor fumegante e jamais dizer? Tu sabes bem que estás trafegando em meu corpo, desde os insanos neurônios, até em minhas veias como o grafite desta conturbada prosa, que faz a minha poesia, trazendo-lhe suavidade. Depois de tudo isso dito, eis aqui uma novidade inconteste: Tu és sintoma, mas também pode vir a ser minha cura.
— Mademoiselle Graphite, Pierrot Ruivo
Quote 23 Sep 17 notes

Faço-te a apresentação necessária:
Mais uma mulher abençoada e involuntária
Se quem canta os male espanta, o que acontece com quem finge?
A si mesmo se desencanta?

Alinhe-se as ordens do purgatório
Determine bem qual é o teu território
O mais novo corpo endeusado pela mídia
E odiado pela bancada fundamentalista

Narradora ou oradora
Qual destes a glória lhe reserva?
Descontraía-se, sinta-se leve com esta erva
O que tu és, metáfora ou demora?

Mas a culpa não é tua, devemos voltar os olhos ao prólogo
Engrandecida por culpa de um nada metódico mitólogo
Glorifique-se por seres os olhos e não o coração
Esta, é a pior condição!

Ergam-se, meus caros troféus
Vocês são os amantes dourados
Tão camuflados, são a nova face do pecado
São perfeições saídas do útero de Vênus

Exiba por aí os teus favoritos amigos
Jovens e desesperados
Mal sabem, que já foram condenados
Quais são estas letras presas em seus lábios?

Carrega as balas
Dispare as indiretas
Rasgue a carne fraca
Farte-se na letra do poeta

Romances furtivos
Abençoados por teu amor líquido
Nascem e dois dias depois morrem
Todos nós sabemos que é pelo holofote, você não sofre…

Agora, diga-me o que tu preferes
Curtidas ou obituários?
Obvio que tu queres teu ego inflado
Minha cara, saia de teu aquário…

Decore todas as regras das revistas de moda
“Se solta” “Te solda”…
Venda-me malícia
Oferece teu beijo tentador e odeie minha rima

Teus amados são meninos escondidos
Fingindo certeza atrás da testosterona
O teste drive de um romance lhe oferece uma carona
Encara com um sorriso plastificado a terrível maratona de servir a propagandas…

“Me dê inveja e atenção”
Venda a mim sua mente e seu coração
E você caro senhor, oferta a ela:
Uma humilde mansão e um alto limite no cartão

Tu estás como peça decorativa no cenário
Minha cara, atente-se aos dias do calendário
Assim, saberá qual CPF na justiça deves acionar
Acordos com engravatados e intenção de abortar

Por quinze minutos
Tu és a sensação do mundo
O rosto preferido do desejo
Recebes em sua porta flores e cortejos

Você está no olho do furacão
E necessita de toda atenção
Que venham as resenhas e as criticas
Colunistas tecem teorias sobre tua agitada vida

Filtros fotográficos e o esquecimento do protetor solar
Desta vez, qual papel tu quer recitar?
Aceites o sol nascente de bom grado
Assassine todas as lembranças monótonas de seu passado

Me dê sua melhor pose, venda-me seu olhar doce
Teu casamento é só um oportuno momento
Postura minha cara, ou destruirá este vestido
Não perca a costura, ninguém quer ser o novo “sem sentido”

Bambu, é o teu novo apelido
Tendências à esquerda e à direita
Meia volta volver! sempre a procura de um ombro amigo
Use de tua fama e peças pílulas sem receita

O pior e tu que alimenta-se a base de revistas e suas dicas
Maquiagens de brilho para compactar vidas sem graça
Não há angustias, desista desta venda maciça
Vista nesta carapaça, em uma oferta nada escassa

— Sobre Rostos Queridos Por Paparazzi, Estrelas De Brilho Raro E Suas Luxuosas Vidas Sem Graça - Pierrot Ruivo
Quote 22 Sep 9 notes
Queriam-me produtor.
Sonhei em ser ator.
Mas por hora, escolhi o bastidor.
Queriam-me árvore.
Mas mudo, cuidei das mudas.
Plantei, reguei e cuidei.
Olham-me em santidade.
Mal sabem que não possuo castidade.
Descobri e traduzi em mim todos os vícios…
De olhos abertos saltei de altos edifícios.
Da poesia fiz meu oficio.
Meu silêncio é a tua salvação.
Meu olhar, não!
Sou tua perdição.
Cativo sorrisos.
Cultivo minhas dores.
Aqui, escrevo sobre as belas flores.
Flores que vi em ti.
Contornando todo o teu corpo.
Queriam-me arquiteto.
Mas assim mora o tédio.
Pregam-me felicidade.
Mas apenas vejo uma falsa civilidade.
O que procuro é a niilista liberdade.
No caminho, conheci prostitutas.
Que brincavam com a pele nua.
Ofertavam-me mentiras cruas.
Levei socos, para quem precisava de meus ombros.
Ao pugilista que me batera, deparará-se contra o oco.
Desatei-me daquilo que me prendia.
Voei.
Amei.
Morri…
Assim como o desabrochar da flor pela manhã.
Recupero a autoestima que nunca tive.
Querem-me correndo.
Como, se minhas juntas vivem doendo?
Hoje deparo-me como homem ilha.
Viver sem cartilha.
Presente, mas ainda sim separado da matilha…
O secreto arquipélago.
O despertar do amor em anfiteatros.
A tentativa de pescar um novo amar.
Deparei-me com vermelhas sereias.
Mas nenhuma delas era minha musa morena.
Regida por Marte, com pensamento em Atena…
Queriam ver-me em paz.
Sentenciam-me a uma vida fugaz.
Condenam-me ao exílio de um Rio.
Mas encontro-me apenas com frio.
Serei teu jardineiro.
Terás-me teu por inteiro.
Quem me dera ter-me de presente as flores de teu jardim.
Todos os teus cuidados em direção a mim…
— Ilha Das Flores, Pierrot Ruivo
Quote 21 Sep 67 notes
Sou muito mais do que isso que tu enxergas, tuas teorias em Causa Mortis de nada serve se tu não mergulhas nas linhas e suas lacunas. Venha dependurar-se nestas vírgulas que tanto uso. O universo que tu não sabes se existe ao olhar as poucas estrelas que estão a sua vista na janela de seu quarto. Sou idioma morto, nem tão cedo os tradutores irão descobrir os mistérios de mim. Historiadores estão mais preocupados com outras descobertas mais intrigantes e impulsionaram suas carreiras secretas e desmerecidas. E quando descobrirem-me, o que será revelado e o que será guardado? Na rua escuto passos, passos sempre apressados, bocas ofegantes em suas corridas matinais para o trabalho. Eu sinto o cheiro da prévia de uma chuva torrencial e ligeira, sinto o burburinho sobre o que será a novidade do próximo mês. Atento escuto, em silêncio permaneço. Beija-me a boca seca e encontrará a esquina inacessível de todos os meus pensamentos, amores e seus rancores. Nestas esquinas há mendigos que sofrem do amor que distribuí a quem jamais me quis. Fritam-se durante o dia e morrem de hipotermia todo o fim de noite, carecem dos cuidados de mãos suaves e delicadas. Olhe no espelho, pisque e olhe mais uma vez. Tu verás que as rugas ocupam o lugar de seus sonhos, a barba amassada está envelhecida, esbranquiçada, tu debruças-se ao chão, pois tuas juntas estão frágeis e irreconhecíveis, este são os valores a quem vive suas vidas em um constante modo inoperante. Teus pulmões hora úmidos, hoje estão pálidos e mofados, culpa deste cigarro de palha que tu nunca se esquece. Outrora lúdico desejava-lhe com todo o meu ser, hoje lúcido, entendo que ter-te era apenas tardar momentaneamente a minha solidão. Encontro-me em paz, apenas por ter sentido a beleza que senti e compreendi. O inferno está lotado de inocência, os prejudicados, pedem perdão pelas injúrias que a eles foram atribuídas. Altas aspirações provocam a inspiração do pó mágico vendido nos becos, de forma escondida. Contra meu peito tenho apertado moças pregando sobre um amor hipotético que olhos tecem em agonia, mas eu desconfio, está muito fácil para ser verdade. E ela se vai, leva consigo mais um amor do qual poderia ser coroado. Serei eu, agraciado com o papel de eco daquilo tudo que não fui, dividido em metades imprecisas, partes desfiguradas de quem acho que eu sou, do que tu vês e do que realmente sou. A ausência do beneficiado denota a fúria icônica de seu céu, o quase fica para depois de inúmeros amanhãs. Tu que só te consolas por ser desejada. O doce prazer de habitar o carnal lhe deixo de estudo de caso, as estatuas de deusas gregas que foram concebidas sem o nascimento, formosas curvas e ácidos ideais podem levar-te a falência da roda dos melhores da cidade. Assim, a chuva que antes fora me prometido, chegou e lavou as ruas, os carros e as pessoas. E eu o que fiz? Corri para rua e banhei-me na chuva, que pela primeira vez lavou-me de verdade, diferente das outras vezes, esta chuva trouxe-me algo puro que jamais conseguirei explicar…
— A Fundação Deste Questionável Eu, Pierrot Ruivo

Design crafted by Prashanth Kamalakanthan. Powered by Tumblr.