Quote 14 Sep 30 notes

Minha terra não tem mais palmeiras
Onde cantarolavam os sabiás
As aves não mais gorjeiam
Aonde você quer que eu vá?

Olá, tudo bem?
Liberte-me da condição de ser teu refém
Bem? “Quase sempre…”
Nossas desculpas são sempre incoerentes

Olhos atentos para um possível novo romance
Foque naquilo que lhe chama a atenção e entre em transe
Os ouvidos estão fechados a qualquer lamento
Todos travestidos de alma de cimento esperando o dia do arrebatamento…

Nesta embriagada multidão
É que nos damos conta que somos uma sóbria solidão
Não cumprem, mas prometem
Matam e esquecem

De todos Aqueles que lhe amam sou o menos nocivo
Preserve-se do soro corrosivo
Num só dia: Frio, chuva e calor
No corpo do trabalhador: Suor, fome e dor

No teu quarto tu podes apalpar as grades
Homem bom, onde está tua civilidade?
De vão em vão tu recusa-se a acreditar
De não em não, tu não aceitas mais amar

O Céu está parado
Pairando no ar o cheiro desagradável do passado
Não há mais estrelas
Nada colore-me mais, nem mesmo tua simpática sutileza…

Tu não sabes mais quem és
Durma na sarjeta ao lado de teu revés
Trace suas pernas em trançadas diagonais
Pais estão a chorar na despedida de suas crias em frente ao cais…

Os reis lidam muito bem com os rumores
Princesas estão a degustar novos sabores
No exílio de uma casa abandonada
Nada pode vencer o silêncio que suplica pela madrugada

Poeta maldito, não de condição
Mais sim em forma de escárnio
Para este idioma pouco importo-me, recuso tradução
Verdades estão trancafiadas no armário

No palco mais sombrio
Reside a saudade do coração mais vazio
Estas belas montanhas não fazem beleza frente ao cerrado
Meu senhor, impeça que meu solo seja privatizado

Ocultismo e fanatismo
Há diferenças?
Pois apenas vejo semelhanças
As duas possuem crenças em murmúrio de suas andanças

Não me venha com esta dupla cidadania
Ao perder o medo de voar venço mais uma fobia
Liberte-me da gaiola e deixe que eu volte para lá
Para a terra das belas cantigas do sabiá

— A Mais Nova Detestável Canção do Exílio, Pierrot Ruivo
Quote 13 Sep
Ás vezes o amor fecha a porta.
Encerram-se as apostas.
Um cala boca e sofre.
O outro grita e chora.
O melhor era o amor nunca ter existido?
(Nunca ter sentido o que sinto?)
Ás vezes o amor acaba com um gosto doce.
E o olhar doído.
Complacente com o ocorrido.
Garrafas de vinho vazias.
Neste peito não há quartos.
Muito menos o da visita.
Tudo está escuro e sujo, abarrotado de espaço.
Não há como caber o melhor e o pior de dois mundos.
O seu é vasto.
E o meu coração é raso.
Desprendeu-se de mim e agora faz peso.
Após esta tarde, ninguém sairá ileso.
O coração incha, incha e incha.
E finalmente explode.
Tu retorcendo-se em agonia.
Você morre.
Se puder, da dor transborde.
Solte-se das retinas.
Deixe escorrer.
Assista o prazer de chover.
Caras retalhadas.
Aos psicanalistas mentiras são retratadas.
A calada da noite é a sua liberdade.
Não reconhecem sua face embriagada.
Da dor faça arte abstrata.
Entenda, se o amor morre.
É pra nascer de novo.
Dê ele, a quem tu quiser dar.
Apenas, não peças troco…
O amor é um eterno broto.
Um ciclo vicioso.
Mas cabe a você.
Fazê-lo ou não doloroso.
O amor acaba, por mil motivos.
O amor renasce, pelo mais sincero sorriso.
— O Abstract De Quem Tu És, Pierrot Ruivo
Quote 12 Sep 3 notes
Tu e tantos outros, tornou-se de praxe, matas e depois corre a procura de asas para lhe abrigar da tempestade que cairá, dar algumas poucas declarações e guardar a sua triste história para o horário nobre, sei bem que tu não és a primeira e muito menos a última. Afinal, a audiência está vivendo momentos de turbulência, o naufrágio é quase certo, qualquer dois pontos a mais já são celebrados pelos senhores dos bastidores. Depois da exibição fetichista de lágrimas que nunca escorrem, apresentação muito bem calculada por sinal. Aqui se faz, poucos segundos se paga. Como era previsível, tu fostes procurar um colo quente e materno, uma pena que nada achaste além da espessa realidade. Que lhe socara o estômago com toda a raiva de um povo oprimido. Teu discurso está desastroso, minha cara, por que este impulso que tu julgas ser a causa, não lhe cobre e faz-te erguer o pulso ao ar e lutar? A instituição é mais importante que homem, malditos valores invertidos. Todos sentem-se envergonhados em sua presença, não olham em seus olhos. Não tentes ativar a primazia da essência sobre a forma, neste palco improvisado todos aprenderam como maquiar. Teu perdão fora dado por mera obrigação, mas a tua redenção dependia de frágeis perguntas, uma pena que o teu carrasco fora o maior dos consagrados. As perguntas foram bem elaboradas para as lacunas que sobraram em suas palavras fracas. Decoraste as respostas inconsistentes por um dia, junto de seu advogado. Não adiantas mais tentar consertar, o que foi dito, não pode ser recolhido, talvez engolido por bocas públicas, mas sabemos que este não é o caso. Teu rosto está mais do que decorado por todos. Em plena competência tu desejaste levar, uma pena, agora terá que pagar. Junto de todos aqueles que lhe incitaram e ainda estão foragidos. Aos céus as vitimas pedem que a justiça seja feita. Injúrias por tuas juras à instituição, espero que isso lhe sirva de ensinamento, destruam este núcleo albino que erroneamente se vê superior aos demais. Sem vitimismo aqui, tu causaste esta delicada situação, ao meno os panos foram descobertos e agora todos podem ver com olhos desnudos a existência de um apartheid tupiniquim. Para teu azar, no abraço materno que tu escolheste não há proteção, apenas a amargura de bocas que foram silenciadas…
— O Advogado Do Diabo Não Podes Lhe Ajudar Desta Vez, Pierrot Ruivo
Quote 11 Sep
Quero saborear as maçãs que residem em sue rosto, tocá-las com minhas trêmulas e pálidas mãos, sentir-lhe a textura, ver a cor avermelhar-se por estar corada por tanto cuidados e mimos referente a ti. Mesmo sem merecer, distribua ao mundo tuas 32 pérolas brilhantes, a mim presentei-me com este par de maças franzidos por um leve e eterno riso. Tu não és daquelas que angariaram por sorte este nome, mas posso muito bem lhe chamar de mulher fruta. Sim, tu és uma fruteira ambulante, em comprovação de minha teoria lhe digo: Olhos de jabuticaba devoram-me a vontade, arrancam-me o ar de frágeis e falhos pulmões. As maçãs em seu rosto dão-me o sabor da nostalgia que anseio em viver do teu lado. E seus lábios qual será o sabor destes lábios hora desnudos hora banhados por um batom, cereja ou morango? Deixe-me beijar-te mais uma vez para saber-te o gosto, não consegui identificar no primeiro encontro de lábios. Em tua pele de praia, na suavidade de um pêssego quero navegar, negar tudo que não fora a teu respeito. Que eu não me transforme em mais um naufrago de ti, a ver-te a distância claras, vendo o teu navio zarpar para mais outra desventura que a vida lhe aguarda, minha amada. Se tu me permites dizer, dou-te um conselho, não queira recolher os antigos cacos de vidros de seus amores, deixa que a brisa os vente para bem longe de ti, apenas cuide muito bem de teu jardim. Tateie minha pele, assim tu verás que sou todo teu, sentiras teu nome a pulsar em mim, poderá tocar e sentir o relevo de teu nome por entre as entrelinhas de minhas falas. Encare-me os olhos por alguns poucos segundos e veras teu nome imergindo em minha voz falha, até tu constatares que é você. Verá as cartas submergirem, junto de declarações que tem o teu precioso nome como sujeito da sentença. Caminhes a passadas largas, mas ainda sim brandas, almiscare por aí o doce de teu sabor, em viver e astucia. Quem me dera poder-te surfar no mar de tuas sobrancelhas e depois furtivamente desaguar por entre a queda d’água que formam teus cabelos, matar toda a minha sede em teus beijos calmos e doces, o olhar em teus olhos e poder ver a mim refletido em ti, este é o meu maior desejo. Ria desta prosa ingênua, core-se, ou apenas leia, não precisas nada dizer, apenas sinta a vontade para compreender-me.
— A Fruteira, Pierrot Ruivo
Quote 10 Sep 24 notes

Alice, minha cara
Tu fostes convocada
Para servir a brigada
Te farão amar esta terra, receberás mil tiros e ainda dirá obrigada…

O sujo carteado quer te ver de joelhos
A lamentar-se, afogar-se em suas próprias lágrimas
Nas colunas registrará com o teu sangue as suas súplicas
Assassinam e fazem brindes com cabeças de coelhos

Tu não vieste do “por que sim”
Cria malcriada do sexo
Talvez entre seus pais tenha acontecido um “bis”
Tudo tem o seu nexo

O trava-línguas te sequestra o ar
Junto das teimosias e vontades de tentar
Sei bem que a rotina te assassina
Mas Alice, tome cuidado ao caminhar na rua vazia

Há malditos estupradores em todos os lugares
Que tem como álibi alguma psicose
No julgamento, bem vestidos e comportados
São a pura metamorfose…

“Vá embora daqui”
Como?! Confessa-me, Alice
“Como fugir se não há aonde ir?”
Quem poderá cuidar de suas crises de bronquite?

Deixes de lado a tua chapinha
Vá ao baile com os cabelos encaracolados
Peça ajuda de sua fada madrinha
Cuidado! Os ditadores estão camuflados

Este jogo de fingir ser feliz
De nada serve a ti
Gatos com sorrisos maliciosos
Com a vertigem pingando dos lábios

Esconda as verdades que tu vistes no jardim
Pecado com gosto de jasmim
Corra, pois o chá das cinco está para começar
Tu não queres se atrasar para o chá do metódico chapeleiro que adora conversar

O doutor lhe mandou comprimidos
Ele não lhe examina da maneira correta
Em teus sonhos beijas desconhecidos
Há virtude nestas maletas?

Tu estás indo para o breve
Quando teu lugar era no conto onde caia neve…
Rios de sangue são formados pelo mesmo calçado envernizado
Sindicatos são consultados para uma possível greve

O rei de Espadas declarou que você estava condenada
Pelo bobo da corte se apaixonou
Odiada por querer ser amada
Afinal, quem é o pierrot?

Advogados alugados jogam críquete na terra de ninguém
As provas são dissolvidas por juízes, para ti prepararam um réquiem
Quem é o reflexo deste espelho?
Quem dará ao povo o tão esperado centeio?

Para estes crimes há coragem, mas falta testemunhas
Famintos, os miseráveis demoram suas unhas
Estamos no país do futuro
Ascenda as luminárias de ti para enxergar bem no escuro

Psicopatas cantarolam canções quando retiram o escalpo
Atiram por diversão nos pássaros
Em meio a tijolos e escombros
Especialistas fazem a autópsia dos sonhos

A loira guerrilheira não caíra em tuas mentiras
Junto de cachinhos dourados e seus ursos começará uma rebelião
A história deste embate será transferida de contos de fadas em forma de exportação…
Até reinventarmos a época de ouro folhada em glória

— Alice Sei Bem Que Tu Não Fazes As Pazes Com Esta Terra, Pierrot Ruivo
Quote 9 Sep 11 notes
Volte ao pó.
Ou consinta em ser um homem só.
Atração solo afinando aos lamentos do seu instrumento.
Afinando-o na nota dó.
Folhagens de ouro para o tolo louro.
Para as lendas, autógrafos e antenas.
Garfos para garfar famosas e cheirosas calcinhas de renda.
Lembre-se de mim ao nascer de suas rugas.
Faça de mim destino para tuas fugas.
Fui o cheiro de teu preferido erro.
Fecharam o cerco, destempero ao meu novo desenterro.
Olhe-te e vi a paralisia em teu corpo.
A pequena morte lhe apeteceu não é mesmo, minha pequena?
Agora, tenho-te eternizada em taxidermia.
Na forma bruta de minha prosa.
Mesmo assim, tu não deixas de ser poesia…
Uma sinfonia dançante pode-te retirar da agonia.
Não tardará o teu desmoronamento.
Esta vida mal regrada, não podes ser viva em exageros.
Mas também não tema em ser um sujeito em detrimento.
Tu mesmo fazes as regras deste combate.
O cataclismo de ti não pode virar um incompreensível debate.
Mumifiquei-me em sonhos, apenas para não tornar-te mais cômodo.
Conta-gotas em pérolas de quem sou.
As histórias são errôneas, imprecisas aos teus pesticidas.
Lhe separou frente aos demais e lhe condenou.
Semideuses são meros serviçais de Cronos.
Divertem-se entre a desistência e a renuncia.
O único fato a ser exaltado é a sua pronuncia.
Este é o mais novo desafio a se encarar.
Onde está meu bônus por ter chegado até aqui?
Não mereço nem se quer um ônus?
Conserte-me com a devida dúvida.
Escolha as capas de revistas ao invés do título de viúva.
Estou destacado em negrito na sua língua.
Teu paladar não cansa de me testar.
Escolha uma boa fonte me introduza em seu mundo absurdo.
Serei o oposto de teu esquecimento.
Tateará na solidão o meu membro.
E lembrar-se-á de todos os teus sujos desejos.
Do orgasmo que batia em tua porta e com um sorriso tu atendias.
Você é o feto da cereja, mas ainda precisas florescer.
Pelo menos uma vez, morrer e renascer.
A fruta proibida fora congelada.
Aqui vemos a crítica escorrer por uma língua avivada
Em seu pescoço eu lhe deixo de presente suaves contusões.
Decifre meus sinais sem perder-te para as convulsões.
Nós dois juntos somos o jovial envenenamento.
De castos e práticos perdidos no engarrafamento.
Em suas coxas deixo-te marcas e digitais impressões.
Ganho-te o olhar a derivar por mil tentações.
E em teu clitóris, deixo-te a lembrança de sua maior desesperança:
Da que eu possa voltar a ser o teu doce amante.
Por séculos isto estará datilografado.
Como se não fosse o bastante tornar-me o teu fetiche segredo, daqueles que se escondem dos alto-falantes.
Tornei-me teu mais singelo e precioso instante.
Tu és a epopeia em comédia.
Já eu sou a silenciosa e cômica tragédia…
— Através Dos Séculos E De Suas Décadas Serei Matéria Fria de Minha Vida, Pierrot Ruivo
Quote 8 Sep
Passos friamente calculados.
Cortejo muito bem elaborado.
Propostas indecentes.
Fitadas de olhar friamente.
“Faça por amor”
Enquanto faz-se uma trepada com rancor…
Meu caro, ponha-te em euforia
Elabore aos teus “amigos” o discurso mais displicente.
Tudo fora elaborado graças ao teu charme.
Tua amada é só para exibir-se, uma mera alegoria…
Para as dúvidas dela tua fala fora convincente.
Mas ao chegar de uma simples nuvem cinza, tu demonstras bem quem é.
Ama por um segundo.
Odeia por uma vida inteira.
Quer fazer-te tua de qualquer maneira.
Temos aqui habitando em um só corpo:
O mentiroso, o imoral e o imundo…
Apenas instruído a si obedecer.
Buscar apenas seu próprio prazer.
Sente-se e beba este coquetel de anfetamina.
Pois só assim poderá tornar-se um excelente contador de histórias.
Apegue-se a neblina que és tragada por ti ao beijar os lábios de ninfas que ajoelham-se na esquina…
Estique a mão a palmatória.
Espere o teu castigo.
Uma boa dose de educação será o teu antídoto…
Tua amada és provinciana ao mundo que lhe cerca.
Delimite o local com cercas e em seu corpo se perca.
Já tu és um iluminado, visitou capitais e recitais.
Enquanto aquela jovem está a descobrir seus ideais.
Carrega consigo pequenas declarações em postais.
Quando ancorará no verdadeiro cais?
Romanticamente, pede perdão pelos seus erros e recita desculpas em olhos brilhantes.
Termina seu discurso e olha seco para seu representante.
O perdão lhe fora dado por pura obrigação.
Tu estás fora do campo de visão da televisão.
Podes muito bem voltar a ser o subterrâneo.
Caro conterrâneo, sei bem que teu fajuto docismo és momentâneo…
Ela é estrangeira a tua alçada bandeira.
Finge ser mais um antiquado hippie contemporâneo.
Deixai quietas as vizinhas, caro traíra.
Vá embora daqui, mas antes termine de identificar esta poeira branca no belo móvel de madeira…
O corpo dela não é anexo para visitantes carentes.
Sussurre aos ouvidos dela:
“Amo-te… Odeio-te… Dê-me um pouco mais de você!”
— A Rancorosa Bipolaridade Incrustada Na Sua Fala, Pierrot Ruivo
Quote 7 Sep
A Poesia está em baixa, pior do que o peso argentino, a poesia está desvalorizada. Sofres com os maus cuidados organizados por mãos despreparadas. Não há políticas econômicas ou monetárias para nos salvar. De um lado mãos enrugadas fazem tratos com outras mãos enrugadas. Proteja suas finanças meu caro, as trancafie no cofre da sua mente, pois hoje o mercado encontra-se em recessão, em uma maldita queda livre. Não faças investimentos, continue como o mesmo bê-á-bá, não extrapole em seus ensaios drásticos e críticos. Não há editora para investir em seu talento, conserve-se para a colheita da nova safra que não tardará em chegar. Não há teto salarial, é por pura diversão, dizem-se os especializados, mas não podem entender aos quebra-cabeças de nossas mentes ansiosas. A poesia está em baixo, um homem bem trajado nos afirma isso em rede nacional. Corram tirem vossas expectativas das bolsas, demonstrem a real intenção trancafiada em nossos bolsos, miséria é a condição para quem é um aventureiro da escrita. Em ano de eleição, meus caros candidatos o que farão? Ao vencedor confetes e ceias imensas de natal, mas no dia de sua posse qual será o seu primeiro ato, martelos e punhos ao ar ou maletas de couro preta entregue a assessores discretos? Sente-se nostálgico pelo vintage, tortura militar para evitar uma tortura pseudo libertária, tu terás a mão firme e a língua rápida para nos levar ao topo, controle a bancada de seus sucessores esta é a receita do sucesso. Cala-te e escreva, por agora, estórias que embalem corações ingênuos, deixe para depois a dura e crua realidade que assola a tua sombra. Liberdade para sonegadores de sentimentos, que disparam frases sem pesar em quem será afetado neste caminho áspero. Investirá no mercado ou no produtor? Lembre-se bem dos tempos de comício, lembre-se de quem o apoiou, tudo que eles esperam é uma prova de amor. Favoreça a indústria e assim será segredo mais amado de toda a critica especializada. Cuspa o cio que transparece de teus olhos, renda-se aos vestidos rendados de mulheres contratadas pelos lobistas, eles lhe cobraram os favores. E é a sua vocação atendê-los com toda simpatia e louvor…
— Recessão Poética, Pierrot Ruivo
Quote 6 Sep 2 notes
Não há um caminho feito de tijolos amarelados, indicando a rota certa, tudo está banhado pelo barro, neblina densa impede-me de enxergar qualquer coisa diante de mim. Existem as mais densas armadilhas de ursos para nos arrancar a pele. O ar cheira a bebidas baratas, cinza de cigarro e sexo. Aqui existem corpos sem nome a se ofertarem por um punhado de dignidade ou dinheiro, maior será o valor de quem vier primeiro, ser o número um da noite não é tão fácil assim. Tu és cuspido e devorado por olhares que lhe dão abraços singelos. Querem roubar-me tudo, mas não sabem o que pertence a mim, não sabe qual é o meu maior valor. Maldita seja a esta terra de desesperados e boêmios, malditos sejam os poetas que exaltam o estilo de vida bukowskiano, não há nada de bom em ser uma eterna madrugada, sem adormecer, não podes ter o gosto na língua de um novo amanhecer, apenas de ensopados guarda-chuvas. Manuscritos servem apenas para exaltar meu desespero, demonstrar o quanto sou maldito e derrotado, nos mares de outros tantos seres malditos e pecadores, nem mesmo a carne quente atraí-me mais, a fome já fora saciada? Mas como se o vazio devora-me? Vômito pede licença para passar por entre a goela de derrotados, tudo para enojarem a direita derrotista, mas serão eles mesmo o próprio exemplo de direita, ou simples canastrões que desejam um punhado de atenção. Acaso, odeio-te tu me presenteaste com uma coleção de erros que pesam e marcam-se em minhas memórias, dos corpos que possui e dores que adquiri, das mil e uma tentativas de haraquiri. Enquanto, distribuías piadas sem graça para quem quisesse ouvir, velei todas as minhas esperanças em um velório solitário, pois ninguém conhece-me de fato. Sabem apenas um terço de quem eu fui, não adianta esta cara pasma a esta altura da história, elabora tua melhor cara de choro e deixa o Gregor Samsa pedir socorro, em silêncio é claro. Enterrei em mim tudo que vivenciei e jamais esquecerei, jamais escutarão qualquer referência sobre esta minha fase, o espelho de nada diz-me quem é verdadeiro e quem é falso, como poderei saber em quem confiar? Apenas esperarei o soco em meu estomago. Deixe-me em companhia das moscas, deixe-me quieto e logo serei esquecido. Deixe-me sozinho e jamais sentirá falta de mim, afasto-me para teu próprio bem, pois meu fim já fora traçado há tempos, deste o momento em que virei aquele primeiro copo de bebida lasciva…
— Não Há Troféus, Não Há Heróis - Pierrot Ruivo
Quote 5 Sep 1 note
Meu coração ao te ver transforma-se no bumbo violento que constitui a bateria e soca-me o peito inteiro. Batidas descoordenadas ao ver-te, pugilista a socar apenas com a mão esquerda, pois a direita está quebrada, enquadra-me no canto do ringue e distribui-me fortes e densas batidas em minha face, apenas posso sentir a dor forte e pulsante, o sangue jorra e colore a todos os cantos brancos deste ringue. Assim o que penso quando perguntam-me deste amor que tenho mantido em mim. Os passos que tento desferir são como os acordes deste baixo, frequência modulada, apenas os apaixonados podem escutar, mas em silêncio eles permanecem, pois não sabem bem como reagir, seus olhos gritam e choram lágrimas invisíveis, que ninguém pode ver ou sentir, mas contemplam poesias abertas e germinadas por essas lágrimas. Desorientado, tento correr, mas não consigo, o escárnio é atirado a mim, a dor engole-me e compenso com meus desejos de desistência. As palavras românticas que tenho entaladas em minha garganta ecoando pela cassa de show como o solo desta guitarra escandalosa, escancarando ruídos devastadores capaz de destronar qualquer tímpano de sua função. Atenção a guitarra base passa por um processo de reformulação, pois é ela mesma que sustenta aquilo que tu vês diante de teus olhos frágeis e nada habituados com poesias e metáforas, boca destreinada a leitura de versos. Não há vocalista, banda sonora a reproduzir com propriedade a todos os meus lamentos. Em que possamos ser como ondas sonoras a dançar por esse ar, eu e o teu amor nos entrelaçando como dois amantes íntimos e queridos. Sincronizando a batida de nossos corações insanos. Nenhum recesso impedirá que este amor cresça e se desenvolva. Letristas experientes já foram contratados na ajuda de mais uma possível prece sonora. A banda entrou em estúdio para a gravação de mais um sucesso, o conceito de tudo aquilo que és sentido. Procurem-se adequar-se as regras habituais de músicos de acompanhamentos, não há nada a se fazer se não virar-se do avesso e engolir os teus próprios vômitos, só assim as borboletas de ti ganharam voz e campo aberto para voo, enquanto isso não ocorre a banda está a procura de mais um talento para ser vocalista…
— Sincronização Sonora E Gravação Do Mais Novo Sucesso: Teu Amor - Pierrot Ruivo

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