Quote 21 Oct
Não morrerei, não posso morrer, pois eu não existo. O que vocês veem, apenas são verdades simplistas fictícias, quiçá específicas. Fruto de teus desejos mais sujos e egoístas pediu-me para erguer a bandeira e fora isso que eu fiz. A maré não virará aos meus olhos, aguardo o momento em que tudo possa fazer sentido outra vez, aguardo o momento em que o vento me fará sentir-me vivo. Mas ainda sim, se meu capitão quiser a contradição eu o seguirei. Sou a vida de teus desejos íntimos. Queriam um filho obediente, me tornei a carne de teus sonhos. Demandaram-se por um amigo fiel e isso fora providenciado. Necessitavam por uma oposição fervorosa, candidatei-me ao cargo e fui o pior de todos os teus inimigos. Pulsaram por um amor sincero e eu o fui. Sou todas as pequenas e egoístas demandas que surgem em vossos seres. Não permito-me ser algo que não haja a mínima necessidade, sou o devoto de todas as tuas frágeis causas. Serei toda a neutralidade de todo o universo, em minha carteira de Identidade, possuo um nome, mas ignore-o, chame-me de Suíça. Ou melhor, nomine a mim com toda a carência que habita em ti. Fui teu delirante amante, mas tu não ligarás as luzes, esconde-se no escuro do mundo, em motéis baratos os carros desenham-nos sob a carne imunda e desnuda. Já, os populares hotéis de cinco estrelas são reservados para casais que encaram a briga pela briga, em algum dia foi amor ou simples desejo? Condecoraram-me como a sangria da dor do mundo, e assim o faço, o pedido não fora formalizado, mas fora realizado. Sou terremoto e tornado, sobrevoando o seu arquipélago. Maldito, maldito, este é meu codinome, grite-me e aqui estarei. E essas lágrimas que teimam em escorrer, é por deslize ou por prazer? Caro Senhor Maldito, nem a sua função tu podes cumprir, defeituoso desde o ventre, mal posso me locomover. Condenação mais vil esta do sentir, tu não há de existir caro Finito. Nascestes para ser a piada sem graça e a palavra suja. Tu foras concebido para cair…
— Sobraram-se Apenas Cinco Segundos, Em Pouco Se acaba a Eternidade Planejada - Pierrot Ruivo
Quote 20 Oct
Saía da sua gaiola.
Diga-me o que tu vês?
Sentes a secura do Saara?
Encare o teu destino, não há como retroceder…
Como irá saciar tua sede?
Não existirá mais água de coco para refrescar sua garganta enquanto cochila na rede.
Da tua sacada, sei bem que tu não podes averiguar, afinal
Retorça tuas joias, minha cara.
Quem sabe, a ferrugem possa alimentar-te…
Socam-lhe a porta
(Ora, quem serás esta hora?)
A verdade te nocauteia!
Em tua garganta, tu sentes o sangue, o mistério e a areia…
(Promessas vãs não pagam salário de ninguém)
Onde está o conforto que me fora prometido?
Aguarde no fim da fila, proletariado.
Pelos teus heróis sempre és enganado.
Qualquer empresário bem fantasiado é o teu novo emissário?
Atreva-se a colocar teus lábios para fora de teu conforto.
Verás rachaduras, por uma gotícula de vida, o homem semimorto faz um pacto com o homem porco…
E tu homem, corra para o mais próximo aeroporto.
Adie os impostos e de seu bairrismo faça um aborto.
No meio do caminho louve Serra.
Vasta vegetação aproveitadora e severa…
Domina-te o coração e a mente.
Poucos, são os resistentes.
Você grita demais pela revolução.
Mas não sabe os primórdios básicos da educação.
E não adianta achar álibi, a culpa também é sua.
Diga-me, por que a liberdade lhe assusta?
Teu pai criaste as crianças e os mendigos famintos nas ruas…
As poesias te incham, fartam-se o ego falho.
Logo encomendarão o seu infarto, meu nobre homem casto…
Meus sonhos tem asas.
Levantam voo e vão para longe de suas cascas
E a outrora, onde está sua vontade de lutar?
Aonde ela foi parar?
— A Nova Residência Do Deserto É O Nosso Lar, Pierrot Ruivo
Quote 19 Oct 1 note
O sonho médio é popular
O amor está a desvirtuar-se
Distorcido, não pensas mais em acordar.
É pop ser pobre sofrendo de megalomania.
Os discos mais vendidos deste ano lhe farão companhia.
O passado não enobrece a nenhum homem.
Apenas, deixa-o com mais fome.
Um estouro para o novo alvo, jovem e louro!
Fenixes são criadas em laboratórios experimentais
Aroma, meus caros…
Dê-me sua malícia.
Antes da censura da milícia.
Antes da briga ‘realística’
Presentei-me com a adulação ondulada e gratuita de seus cabelos…
Ao pop, louve!
Aos elitistas estilistas, couves!
O teu salvador é latino.
O teu amado papa é argentino…
Que o pop nos poupe!
Que os fotógrafos me perdoem
Os amadores e os profissionais.
Filtros artificiais e técnicas artesanais.
De indigente ao candidato a presidente.
O pop os domina.
Tu não és divina.
Muito menos bailarina.
Cintura fina.
Obedece com clareza as regras do sistema.
Oferte-se e siga com a rotina.
Leiloe-se e veja o teu preço…
Ditadura da relatividade da fama
Entre a glória e a lama…
Siga a dica dos astros.
Quem sabe assim, estará em órbita e será o rosto mais querido…
O seu futuro presidente mente.
(Quem não, não é?)
O teu reflexo cansou-se de embelezar suas frases e crases.
O populista povo paulista espera mais uma conquista.
Mas como vencer, se não houve dedicação?
O discurso eleito foi à contraindicação.
A morte traz o pop…
A maldita sorte, traz o pop…
O pop empesteia o ar.
O pop lhe trouxe o vício de fumar.
A livre-iniciativa está refletida no lirismo.
Perdida, caminha sobre mais um discurso neoliberal.
Onde está o eufemismo?
‘Caro caríssimo, nesta carta ignoro todos os mandamentos felizes do carnaval… ‘
Tudo o que eles lhe dão são um tapa nas costas e um cheque sem fundo.
Ele é profundo o suficiente para se esconder.
Então vá viver as verdades do mundo…
— Que O Pop Nos Poupe, Pierrot Ruivo
Quote 18 Oct 6 notes
Já fui ex-amor.
Ex-terror.
E atual tremor.
Já fui amante.
E amigo.
Hoje, atual inimigo
Traído e traidor.
Lixo compactado por um trator…
Mais um número para a sua estatística.
Para este contínuo exercício, não há instrutor.
Onde coloquei minha garantia estendida?
Já fui ex-traficante de rebeldia.
Agora, casado com uma singular apatia.
Já fui experimental.
O primórdio de um desastre natural.
“Ex-tudo, para a viagem, por favor…”
O caminho é curto.
E eu sou louco.
O pulsar pede água.
Mas aqui não há nada.
Apenas lodo…
Fui por pouco.
Um quase campeão.
Tão pouco primeiro lugar, muito menos o último.
Falta-me a exatidão em motivação…
A dor me consome.
A dor me corrompe.
De homem bom e saudável,
Para um homem deplorável…
Atualmente.
A tua mente,
Mente…
(E ninguém a desmente…)
Distúrbio deturpado.
Calado, do circo a mais nova atração.
Acrescentando um novo lamento a sua coleção…
— O ‘X’ Da Questão, Pierrot Ruivo
Quote 17 Oct 42 notes
Ligo o chuveiro entro embaixo da ducha quente, após me ensaboar, enxugar-me e devidamente cuidar de meus cabelos castanhos, em meio ao vapor divago-me entre as contas que tenho que pagar, os carnês que estão para vencer e começo a pensar em sexo. Sim também sou humana. Enquanto os olhos deles estão a percorrer as letras miúdas daquele livro sobre alguma teoria da administração, meus dedos estão a percorrer meu corpo, desço e subo rapidamente em minhas pernas, apalpo meus seios volumosos, passeio com meus dedos, desde o bico até distribuo a mim alguns apertões mais fortes. Que arranca-me suspiros. Abafados pelo barulho do chuveiro. Em meio ao vapor daquela ducha quente desejo-o. Desejo-o a olhar em meus olhos e beijar-me os lábios sem pressa, o meu beijo favorito, lento e saboroso, que ele percorra cada canto molhado de meu corpo. Suas mãos atrevidas atravessam-me a carne, cada vez mais ele me puxa para perto, puxa-me beijos e morde-me os lábios. Até que volto a minha atenção para seu membro pulsante e pontudo. Agarro-o com as mãos o masturbo um pouco, beijo-o, de gosto salgado, atrevo-me ainda mais e o lambo, desde os testículos, até a ponta de sua glande. Depois me afundo em suas bolas, enquanto com uma das mãos o masturbo-o, ele está quieto, mas o conheço bem, sei que ele está se deliciando. Sugo uma bola para dentro da boca, depois sugo as duas ao mesmo tempo. Mas o que quero de fato é o seu pau dentro da minha boca, chupo-o novamente, mas desta vez coloco teu membro todo em minha boca e com a língua descubro cada canto do território de seu pau. Deixo-o controlar a velocidade, peço-o para foder minha boca aos poucos, ele me obedece. Após um bom tempo, o sinto fraquejar, então tiro seu membro de minha boca, subo e lhe arranco um beijo, forte e denso daqueles que tiram o ar. Completamente molhada, quero que minha cona seja preenchida, quero ser fodida, hoje meu amor, não quero amorzinho, podes ficar em silêncio, mas desde já lhe aviso, quero trepar! Sem pensar no amanhã. Ele me pega pela cintura, bate seu pau no meu clitóris, o que me excita cada vez mais. Aos poucos e coloca seu membro em mim, começar com um tira e põe provocativo, até evoluir para algumas bombadas mais firmes, até que elas aumentam de intensidade. E eu? Delicio-me, começo a gemer e pedir cada vez mais, até ele está a gemer, mas o barulho do chuveiro impedirá que os vizinhos ao lado escutem a nossa foda. Seu pau cada vez mais duro e isso está me deixando notoriamente excitada, suas mãos encontram-se em meus peitos, ele me presenteia tapas e belisca meus mamilos, enquanto dois de meus dedos estão a massagear o clitóris. Sinto-me uma fera que está prestes a ser saciada. Pressinto o orgasmo, com um sorriso no rosto aviso-o que estou a gozar. Estou quase chegando ao ápice, quando me deparo com batidas na porta do banheiro. Era ele perguntando quanto tempo eu demoraria no banho. Ainda desnorteada balbucio que já estou acabando e meus dedos enrugados continuam a entrar e a sair da minha cona, assim assustada, fecho os olhos e com as pernas tremendo tenho um dos melhores orgasmos das últimas semanas. Enquanto ele só pensa na sua prova de Administração…
— O Recente Corpo Quente Está A Se Contentar Com As Próprias Mãos Hábeis - Pierrot Ruivo
Quote 16 Oct 1 note
Velejo atrás de terra firme, mas no horizonte não há nada além da imensidão do mar. Sou marujo e ao mesmo tempo capitão, minha terra firme é você, mas você está tão distante. E não me lembro de algum dia aportar em ti. Parece-me que o mar fora sentenciado como meu exílio, parece-me que eu fora concebido no mar, assim com o talento de ler e desenhar cartas de navegação, misturado com poesias platônicas e irreais. A eterna procura, esta é a condição deste solitário capitão, não há astrologia que me dê fé e não há mais fé que faça-me acreditar que ao não acordar um belo lugar estará a me esperar. Caminho de um lado do outro do convés, até, deparar-me com uma ilha ao horizonte. Tantas perguntas para serem respondidas, então eu refaço a trajetória até aquela ilha, a espera de meu mais novo lar. Aportei-me, não havia civilização, mas havia vida, havia um lago e nele deparei-me em reflexo de uma parcela do Muro de Berlim, onde nada passa e nada sai. Intransitivo permaneço, que me vê, deduz o pouco que achas que sou, mas garanto-lhe que surpreenderei-te em qualquer das suas teorias, de rima em rima, sou um manifesto inacabado e quando poderei tornar-me um manifesto finalizado? Daqueles que ficam marcados na memória, que originam boas histórias. Onde está o amparo para minhas inchadas olheiras, que de tanto ficarem com os olhos vivos em todas as direções cansaram-se e adoeceram, assim como todo este ser bagunçado que me constrói. Tormentos e terremotos são a minha condição? Pré-vômitos enlatados pela minha garganta preguiçosa. Quando estás perdido, o que o código dos capitães diz? Refaça a rota ou encalhe teu navio em um recife qualquer e espere que o mar lhe engula? O que dizer se os versos metrificados não significam mais nada para você? Os teus iguais foram pecadores que faziam-se em fama por corromper o mais nobre e justo dos anjos. Brincam com as palavras como se fosse suas, mas mal sabem eles que elas possuem vida própria, vocês não são jogadores, mas sim as peças deste jogo. Todas as doces palavras sobre o amor proferidas por este capitão remetem a você, Stella Maris. Deusa inalcançável, musa da minha diária epopeia por lhe garantir um amor que lhe faça sair do chão. Salvem o relógio antiquado de bolso, enquanto outros o deixam mais lustroso para os turistas que anseiam pelas férias de verão. Então, voltei-me ao pequeno barco com tu no pensamento, voltei a navegar por este imenso mar a procura de aportar em ti…
— A Guerra Fria (Os Versos Melodramáticos Do Capitão) - Pierrot Ruivo
Quote 15 Oct
Aproveitem as tuas facas afiadas açougueiros e cortem-me, em pequenas partes, fatiem-me a carne nobre de fino corte. Espalhem-me os restos pela minha cidade. Meus dedos, todos os vinte em somatória, distribua entre a Augusta e a Consolação, dez dedos para cada, deixo os dedos para o lugar que mais abrigou pés nos fins de semana de toda a São Paulo, meu palco particular e de tantos outros que desconheço pelo nome, mas os reconheço de vista. Não quero um belo enterro, condecorem-me com este desejo, não quero o clássico sepultamento. Colete o meu coração, fatie em quatro pequenos pedaços desiguais e dê aqueles que um dia amei, para que o amargo de mim ainda esteja presente a cada novo estação que surgir. Que eu seja o principal suvenir, que sempre as ensine a diferença do amor real e do amor de televisão. O maior pedaço, não dê a aquele que hoje amo, mas sim, esfregue-me no asfalto das avenidas que tem marcas de seus passos, assim poderei acompanha-la onde ela for. Meu sexo deixe naquele canto do Ibirapuera, guardado para os casais fetichistas, assim ele foderá junto de novos casais, aprenderá novos truques. Além de sempre estar ereto. Os póstumos poemas guardem com vocês, quem sabe, valerão de alguma troca em becos escuros, venda-me como astro do teu cinema mudo, mal sabes que fui o pior das tempestades. As dores ficaram no passado ou terão a sua vez? Insanamente nomeados de amigos terão um codinome especial neste exílio, apurem-se de interpretação de texto e assim verás teu torto sorriso nas entrelinhas de meu lirismo. Carrascos vestem etiquetas, carrascos usam armadilhas obsoletas, apenas nostalgistas seguindo o modelo clássico, um sonho de cada vez, um adeus para depor contra você. Os olhos deixem na Catedral da Sé para que sempre esteja atento a mais nova religiosidade comportamental. A cabeça, “sem querer” esqueçam junto de outros entulhos no Pátio do Colégio. As orelhas? Vendam para os nobres revendedores de carne, assim, estarei a boiar na feijoada da alta sociedade e como último trufo, trarei a pior das indigestões. Dos braços, façam trilhos e troquem pelos já desgastados, assim sempre elétrico estarei. Deste pálido tronco faça-te um bote, para quando as águas de março estiverem a lamentar-se, mas prepare-se, pois a previsão é ensolarada por muitos anos. As pernas creio eu que não lhe terão muita utilidade meu caro, principalmente os joelhos, mas mesmo assim, as deixo para ti…
— O Que Tu Dirias Se Hoje Fosse Teu Último Dia? - Pierrot Ruivo
Quote 14 Oct 7 notes
Fora em teus braços que senti a paz, fora no teu abraço que me vi bem, sólido fincado em minhas dores? Não! Em teus braços, transcendi de tudo que me afeta, senti-me livre e por ser livre, pude orbitar sobre a alma de teus olhos. Meus caos rui-se ao ouvir o som da tua voz e todos os teus cuidados direcionados a mim fizeram-me um homem mais saudável, não volátil e leve como tiner, mas sim sólido como um homem que ama deve se tornar. Não peço que entenda, mas peço que compreenda que a tua existência é cura de todos os meus únicos e flácidos tormentos. Ao saber de seu inferno astral, faço companhia para minha enjoativa insônia, mas ao ver-te sorrir, a ela dou boa noite e vou dormir. Em busca de embarcar na terra dos sonhos e sonhar com teus olhos fitando-me. Em teus braços, poderia muito bem aguentar tardes que fazem-me derreter, sem reclamar, com a possível sede que surgirá sufocarei-me nos teus lábios, já que água não teremos mais, mas teremos um ao outro. Na improdutiva árvore de meus rachados lábios está a procura de alcançar o céu, junto do tua árvore que possui apenas um fruto, aquele que está disfarçado por entre seus lábios, apenas poucos homens percebem a exibição de tal fruto. O amor é surreal para quem o vê a distância, mas não adianta disseca-lo em pequenas partes, mas sim, senti-lo em grandes quantidades. Não disfarço-me de homem bom, mas necessito ser o melhor que puder, para calar as bocas ácidas que distribuíram tiros gratuitos. Na língua, prega-se o louvor ao amor, no peito, bate mais um incontrolável amor de festim, assim vocês não conquistaram a ninguém, apenas copos de vidros que refletem imagens desassociadas com a realidade. Poderão minhas cartas ultrarromânticas regarem o jardim de teu coração? Como um jardineiro fiel, lhe dedico tempo, carinho e cuidados extra-planejados, extrapolando o tênue limite de uma garganta que trancafia palavras doces, mas não trancafia olhos que insanamente gritam por teu nome. Garganta, tu podes calar minha voz, mas jamais meus dedos, jamais calará o lirismo que cobre-me de amor, da cabeça aos pés. Jamais calará meu peito…
— Em Teus Braços Eu Posso Sonhar Com Ensolaradas Tardes, Pierrot Ruivo
Quote 13 Oct 1 note
Porque adoeces mente? Por que adoeces todo o resto de meu corpo? Porque causa-me arritmias momentâneas para que eu não possa contemplar o sol? Quero eu contemplar o belo sol sem sentir um pingo de calor. E eu o que terei que fazer? Aceitar que as borboletas sambem, uma samba bravo e inoportuno dentro de mim. Palavras entaladas na garganta podem fazer isso comigo? De ausência de cor, deparo-me de frente a muro de minha dor. Vômitos são mais constantes do que bom dias, o erro e seu temperamento destemperado. Genética? Falta de ética ao desenvolver-se como homem feito, crueldade há quem não possui identidade, o fantasma do nada teve de pouco em pouco a visão deturpada, o medo atirou-se em minha derme e desde então expurga-me de minha ociosa vida. Consente-se que você é um erro e nada além disso, fruto empobrecido de quem quer correr mas não tem a vitalidade verdadeira para sagrar-se o melhor dos melhores. Com azar em todas as cartelas da vida, nunca poderei gritar bingo, aproveitar um ensolarado domingo, isto não fora feito para mim, deixe-me palavras, pílulas e sorrisos. Mas não deixe a mim o teu esquecimento, na tua fuga, deixe-me largado na estrada suja. Tremor, porque tu insistes em me dominar, farei carreira como o pior de todos os terremotos, arrasador de civilizações carentes. A prudência ao andar de nada serve se não as infâmias desferidas contra meu corpo. Digam-me, como é ser normal, possuir a condição normal? Guerrear contra teus números negativos, não se apoderar de ansiolíticos. Maldita ansiedade, desprenda-se de meu corpo, não feche as avenidas para a passagem das borboletas, deixe que elas vivam. Que elas ganhem fortunas e se aventure pelos mares mais sombrios. Devoto-me a essa admiração, mas peço ao que me controla, não tire-me dos trilhos que tanto tentei caminhar. Recuso a aceitar estas verdades, não posso permanecer recluso, caneta como aliada para condensar todas as camadas destas correntes elétricas que tornaram-me o mais desgraçado de todos os inúteis palhaços. A luta é contra meu eu, o animalesco vence o humano com facilidade, nos últimos dias a derrota tem tomado conta de mim, estou condenado a viver por conta-gotas, de sopro em sopro, no escuro de minha mente…
— Quando Tudo Dá Errado, Pierrot Ruivo
Quote 12 Oct 2 notes

As rosas choram.
As rosas amam.
As rosas encantam.
As rosas se enganam.

As rosas falam…
As rosas não se calam.
As rosas sentem.
E não mentem…

Rosam compram.
E vestem suas vestes.
Fazem vergonhas.
Gastam todas as sombras.

Rosas, novamente se cansam.
Rosas, reclamam.
Rosas, mandam e desmandam
Pede socorro ao perder-se de seu escopo…

As rosas em seus pétalas se banham
De lágrimas vindas do céu
Rosas ao receberem elogios, se acanham.
Por timidez, elas se coram…

As rosas tem o teu cheiro
As rosas tem o teu jeito
Em alguns dias sinto-me teu prisioneiro
Teus olhos acertaram-me em cheio…

As rosas tem a fineza de sua pele
Mas eu, diferente das rosas que tu és sou finito
Pudera você ser eterna para que eu sempre possa lhe admirar?
Este poeta aflito apenas pede um tempo para em você se inspirar

Querida rosa, seus lábios cantam
Os meus estão cortados…
Por lhe amar sou culpado,
Réu, julgado e sentenciado a uma vida de poesias feitas a ti…

— Vejo Em Ti Todas As Rosas Que Me Deparei Em Alheios Jardins Da Vida, Pierrot Ruivo

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