Quote 16 Apr
Neste porto imundo.
Eu estou a olhar a lua.
Tecendo bons momentos com ela,
Confidenciando segredos às estrelas
Constelações de épicos heróis…
Assistindo a maré avançar
E tomar-me o casco
A costa da praia.
Beijando suavemente o cais, varrendo a sujeira que nele se encontra.
Molhando os pés das cortesãs e de seus amados marujos.
Ofertando carinho por um punhado de moedas de ouro.
A madeira de minha proa encontra-se úmida pela neblina que me encobre as vistas.
Talvez o Holandês Voador tenha ancorado por estes mares calmos.
Estou aprisionado a este porto, envelhecendo a cada dia que passa.
Meu capitão é desnaturado, apenas enche teu estômago de rum, enquanto atira-se aos braços delicados do pecado…
Tripulação? Eles não existem, todos desistiram.
Os servos infaustos, são estes seres que me fazem companhia
Malditos parasitas incrustamos em mim.
Por mais que eles tomem-me o corpo, existe um lugar que faço questão manter limpo
Uma única madeira, do assoalho, tem gravado teu nome, assim perto de meu coração…
Talhei em mim teu nome, para que eu não me esqueça de ti.
Ah, Stella Maris, sei que tu só proteges os marinheiros, mas não tenho a quem mais pedir socorro.
Deixe-me sentir o sal do mar apenas por mais uma vez…
— A Embarcação, Pierrot Ruivo
Quote 15 Apr 3 notes
No ar em que respiramos, em nossos olhares de medo e repreensão, nos outdoors e em comerciais de cerveja lá está o Apartheid Tupiniquim dando as caras, somos os delinquentes eloquentes, sabemos que ele existe, sabemos que ele está mais vivo do que nunca e o trancafiamos em nós, acobertamos a repulsa com alguma crítica ao comportamento, mas lá no fundo sabemos que seremos escorraçados pela opinião pública e ninguém quer ser o vilão da vez, então acobertamos a verdade. Batemos palmas, quando no fundo de nosso âmago estamos amaldiçoando aquele tem a cor diferente da nossa, ou até mesmo a aparência que está fora do nosso pretensioso senso comum, desvirtuado pelos “bons costumes”, engana-se que acha que o preconceito só pertence a americanos e aos anos perdidos do Apartheid africano, ele está muito vivo nesta terra que chamamos de lar, a cada dia que passa ele cresce e desenvolve, sinto que demorará a chegar o dia que ele sucumbirá à morte, por que ele está assim, escondido. Aos homens bons da televisão, encolhem-se em seus carros blindados quando se tem como caminho a periferia, políticos levam toalhas bordadas por crianças órfãs belgas para se limpar do suor de seu eleitorado nos comícios em ano de eleição. Fatos é o que tu queres? Jovens mortos em esquinas, por serem negros e homossexuais. E a polícia? Nada fez, nada sabia, fez-se de cúmplice e “abafou o caso” alegando suicídio. A -tentativa- de “ocupação” de jovens de periferia, que foram excomungados como leprosos de grandes centros de consumo, novamente o Apartheid deu as caras, em liminares e julgamentos, cassetetes, capacetes e discursos incoerentes, lá está o preconceito travestido de “ordem”. Nos esportes, assistimos com o tom de tédio alguma notícia que determinado esportista teve arremessado contra seu corpo bananas, alguns dizem que não machuca, mas essa granada não machuca a carne, mas sim a alma. Nas avenidas principais da terra do samba, garis protestam por melhores condições de trabalho, enquanto a opinião pública torcia seus narizes já empinados, há alguns meses antes médicos com seus aventais brigavam e xingavam outros médicos cubanos que em sua maioria eram negros e mulatos, não simples palavras, mas ofensas raciais que só de ouvir causam-me náuseas. E o que médicos cubanos faziam ali? Tentavam simplesmente fazer/ ir ao seu trabalho, fazer o que foram contratados, uma medicina simples em periferias e lugares isolados, que a vossa casta de exemplares médicos não se atreve nem a dizer o nome. Aplaudiram os médicos de pé, afinal, em uma sociedade em que um pedaço de papel vale mais do que as qualidades que foram aprendidas com o tempo, que se falta investimento a educação, onde a renda é o que dita à regra do jogo, onde a impunidade e a segregação sempre se sagram campeãs, o que se pode fazer? Mudar e mudar com urgência! Ora Brasil, você é muito maior do que isso…
— O Apartheid Brasileiro, Pierrot Ruivo
Quote 14 Apr 29 notes
Então, vais, contra o vento, sofra com as pontas de seus cabelos sofrendo duros golpes e perdendo a luta para a corrente de ar fria que tu tanto amas, teus cabelos se desvelhenciam de uma rota perfeita, para pequenas pontas a tentar fugir em inúmeras direções, mas sempre falhando, tentando alçar voo com uma corrente envolta de seu pescoço. Não se esqueça de seu cachecol vermelho, só ele protegerá tua frágil garganta. Ah, se tu soubesses que esta nudez em sua face se torna encantadora e sedutora, jamais perderia tempo se maquiando, assim chegando atrasada em seus compromissos. Onde estão apontando teus olhos, onde eles estão escorando por um descanso, beijando outros olhos em meio a respirações ofegantes? Apenas amo-te, pela calma que traz quando tu me encaras e pelo perigo eufórico que é te amar, que se não fosse o amar, jamais reconheceria a mim mesmo desnutrido em meu reflexo. Sinta o ar gélido penetrando-lhe a pele, os poros, até tu encontrares-se mais fria do que a própria neblina que te envolves quando sai para o trabalho. O que teus lábios finos estão pronunciando, a quem eles estão aguardando? Teus dedos estão separando os carteados de mais um jogo que eles não estão convidados. Teus leves pelos são a relva, calma a sorrir na direção em que o vento soprar, mas assim, tem liberdade de ser relva emancipada de raízes, desprende-se do chão e vai, vais junto do pólen, do amor que está trafegando pelo ar. Tuas costas são o céu parado e desnudo de nuvens, com algumas marcas de nascença, eu digo que são as estrelas que formam as mais belas constelações. Tu és música e letra, valsa e tango, tu és minha musa…
— Como Poderei Evitar Me Apaixonar Por Ti? - Pierrot Ruivo
Quote 13 Apr
Em jardins, a bela moça aspira aos sonhos que se evaporam dos ovários das flores, de todas as cores e gestos, para os santos ela faz a oferenda de um jardim florido, recheado de borboletas condenadas. Essa terra é abençoada, longe de todos os desordeiros, ansiosos por adrenalina. Do outro lado da cerca, o amado desta moça, queima cigarros e corações junto dos pecadores da cidade, mas eu sei que eles são apenas crianças que nunca foram abraçadas, são fetos acidentais, resultado de um perigo divertido. Possuem casas, mas não as podem chamar de lar aquele sórdido lugar, deixam suas almas penduradas no varal, pois elas estão encharcadas de lágrimas pensadas e nesta vizinhança é inaceitável a corredeira que aviva a mente e escorre de dentro dos olhos. Tudo o que sobra é a culpa, peso de ser o que os outros querem não o que você nasceu pra ser, nem ao menos o ser que você sonhava em ser quando crescesse, em épocas de dentes de leite. Não há ninguém para lhe acompanhar, a bala retirou a vida de todos, apenas a neblina de quem foram lhe segue, junto de sua esguia sombra, mortífera, sofrendo os sintomas da morte em vida, corroendo a sua vitalidade, dia após dia. Tudo que você quer e vê-los mais um dia, mas mal sabes tu, que do outro lado da rua, um olhar terno está a te acompanhar, quiçá teu anjo da guarda, sem assas e do sexo feminino, a bela moça das flores te retém amor, de onde ela conhece você? Desde sempre meu caro, ela é mais uma daquelas indetectáveis que sempre estão lá, mas ninguém se lembra, nunca, memória desbotada de antigas fotos, um nome sem um rosto no anuário, ninguém sabe seu real paradeiro, e assim será por um bom tempo. O homem olha ao seu redor e apenas vê mentira, cores que combinam com vestimentas, bolsas e calçados, percebe, que ele foi incorporado pelas mentiras alheias, apenas para ter companhia na calada de uma noite fria, onde tudo estava escuro e a chuva caia mansamente, em forma de garoa. O teu anjo não está lá, está cuidando de sua mãe doente, mas a mente está a mirando teu coração, rezando para que os anjos verdadeiros lhe protejam de todo o mal, mas você não sabe disso, não tem como agradecê-la. Voltando para a sua casa, ele tinha consigo uma carta, a bela mulher cansou-se de se esconder, decidiu contar-lhe de todo amor que ela tem nutrido por ti. Estava a caminho de te entregar a carta, até que ela se transformou em alvo fácil de uma forte munição, então assim pra ela as luzes escureceram, a última coisa que ela pode ver a sua última memória era que o rosto de seu carrasco era o mesmo de seu amado…
— Apenas Mais Um Dia, Pierrot Ruivo
Quote 12 Apr
Vai, cometa.
Deixa tua marca por este universo.
Não tem destino certo, não podem traçar a sua rota com aparelhos tecnológicos.
Pois tu não sabes aonde ir…
Viajante deixando seu rastro pelo cosmos.
Orquestrando as estrelas para que deixe uma trilha a se seguir…
Tua cauda flamejante ilumina até os cantos mais sombrios do coração do universo.
Tua luz interior pode ser comparada com a do astro rei, o sol regido por Apolo.
E ele vai, vai na calma de quem já ganhou a partida.
Dando a volta olímpica.
Vai cometa, na calma de um rei recém-condecorado.
Da terra da qual chamo de lar, pessoas lhe assistem passar.
Um feixe de luz mais rápido do que um raio.
Lhe fazem desejos.
Pedem amor.
Abrigo.
E às vezes um simples sorriso.
Mas o pobre cometa nada pode fazer.
És nômade perdido.
E não gênio.
É apenas um cometa de cabelo comprido…
— O Cometa, Pierrot Ruivo
Quote 11 Apr
Não existem balanças que possam medir o meu amor, ele não é papável diante os seus olhos, meu amor é leve com pena e pesado com chumbo, mas esta variável tu nunca saberás, desistas, não há como determinar uma medida correta, ele não se fixa na balança, não importa se é analógica ou digital, ele debate-se e voa em direção ao seu jardim favorito. Pássaro livre de amarras e gaiolas, pássaro que entre tantos outros jardins e árvores, decidiu repousar no jardim de teu sorriso. Astreia não tem forças o suficiente para pesar meu amor, pois a cada dia que passa, ele cresce se desenvolve, mas não morre, pois ele é a imensidão que nos cerca, ele é tudo aquilo que nós vemos e que não vemos a olho nu. O meu amor é o vento que bagunça teus cabelos, é o passarinho que canta em sua janela, é oxigênio que te faz suspirar ao medo, em meio a noites solitárias, o meu amor é o teu alimento favorito e é aquele que você não gosta mais sabe que é necessário para se tornar saudável, ele é a bebida que mata tua sede e reveste teu estômago vazio, que carece de borboletas para sacudir teu mundo. Meu amor é menor do que uma grama e se desliza na imensidão do cosmos, se tornando a estrela principal do show, aquela estrela que os marinheiros se guiam, meu amor não me da motivos, apenas o sinto os sintomas do amar. Ele não presta contas, apenas cresce de mansinho, até se alastrar no seu peito, transformando-se em morador principal da casa, daqueles que colocam tapete de boas vindas para as visitas. Meu amor finge ser independente, mas ele pede a dependência de seu abraço na forma que meus olhos lhe dizem poemas mudos. Desnorteado meu amor fica diante a tua presença, ela se entrega a uma disritmia, enquanto o bumbo bate intensamente, dilacerando qualquer ritmo que possa a se criar no momento. Ah, que amor mais inocente esse o meu, tímido entregas a ti de corpo e alma, mas tu não percebes, as pupilas dilatam e entregam o afeto que ele tem por você. Vive acreditando em eternos romances de filmes, uma pena que eles só duram até o diretor dizer corta…
— A Balança, Pierrot Ruivo
Quote 10 Apr 1 note
Sou o medo de dizer tudo o que tenho aqui guardado em meu peito.
Sou o afeto que deseja acariciar-te em meus braços.
Sou todo tremor de meu corpo, quando você toma minhas mãos pra si,
Ou em um rápido abraço…
Sou a coragem ao querer te proteger de todo o mal que nos cerca.
Sou a loucura contida em gritar-lhe sobre o silêncio de meus olhos.
Atordoados pela beleza do teu semblante.
Sou o vento que beija suavemente o teu rosto.
Sou o mesmo vento que faz com que teus cabelos rolem por entre as lacunas desse ar…
Desvelhencio tuas cabeleiras, para que elas sambem anarquicamente, sem ensaios…
Sou o reflexo do teu olhar.
Que procura alguém para amar.
Eu sou a lua pálida que te acompanhas quando tu voltas pra casa.
Eu sou a lua vermelha, de sangue, pios fico corado quando tu me elogias…
Sou a saudade de ti que aflora.
Em (meu) mundo afora.
Na nuvem que chora.
Na pétala que se desprende de uma rosa…
E principalmente, sou amor!
Platônico.
Fraternal.
Filosófico.
Materno e paterno.
O maduro e o imaturo.
Sou todos os seus significados irreais…
Sou o meu próprio exemplo de amor.
Mas desejo conhecer o seu.
Sou muda e jardineiro.
A crescer e regar o amor que tenho em mim.
Assim, às vezes eu podo suas folhas.
Apenas para entregar o melhor de mim a ti…
— Sou, Pierrot Ruivo
Quote 9 Apr

A bandagem de seda se encharca frente a pus que escorre deste corte
Os cortes vão ganhando destaque e as borboletas adentram nestas lacunas
Você nunca me enxergará, a neblina de tuas vistas o impede de achar o amor…
Visualize o charme daquele homem de negócios tão entediante
.

Radiografias apenas demonstram que sou ilegível
Sou a matéria de roda pé neste jornal
Minhas escolhas estão além de um certificado
Não servirei de molde para teu amado conglomerado
.

Que combinação explosiva!
Eu, de coração condenado
E você, de alma doce e beijo descafeinado
Poemas mal organizados para uma mente promovida a produtiva…
.

Homens imperfeitos a chantageiam com genuínas palavras adequadas ao momento
Sem felicidades alheias, tão pouco tragédias gregas
Todos estão muito ocupados administrando suas próprias empresas…
Esconda sua artimanha por entre as mangas
.

Me dê um gole de sua fantasiosa vida
O doce que evapora por entre os poros daquela que lhe excita
Pode causar-lhe diabetes e um infarto fulminante
Ao vê-la tão humana e frágil, nua em todos os seus significados…
.

No olho do furacão tu podes enxergar a tua paz
Não tentes apaziguar as chamas de mim
Mergulhe de olhos abertos e acharás aquilo que te satisfaz
Deixe espaço para o furacão que estás a se formar em ti…
.

Com meus dedos varri os escombros de castelos que se endereçavam nas linhas da vida de minhas mãos…
Já que tu desafias a compreensão ao tentar-me ler os olhos
Nos traços que tento dar vazão a estas nuvens carregadas
Tu enxergas nelas a formação de rimas que nunca imaginei fazer
.

Você está a um tiro de distância do meu coração
Tira a venda que lhe impediu de enxergar por estes anos
No desafinado disparo de singelas palavras que te escrevo
Está à interpretação por entre minhas metáforas, o amor está a um beijo de contenção…
.

E é assim a nossa vida?
Beijar bocas em carnavais
E secar as lágrimas em funerais
Já que somos reles mortais…
.

Cavaleiros errantes protegem a mentira travestida de verdade
Enquanto a fábrica está a todo vapor, criando e moldando celebridades
Catequização a todos os ditadores libertários
E emancipação aos seus estagiários…
.

Quem você representa na oração?
Você ofende ou é o ofendido?
Você ama ou é mais um vendido?
Você segue a procissão ou a sua visão?

— Apresento-lhe O Furacão Que Reside Em Mim E Em Ti, Pierrot Ruivo
Quote 8 Apr 2 notes
Essa tua sede pelo avanço vai te destruir.
Não há sentindo algum nessa pressa, a vida não é uma corrida.
Ninguém quer ser o primeiro a chegar ao fim de sua jornada…
Teu lado impuro, encontra-se tão vivo, tão seguro.
Já a tua pureza, esta trancafiada, por entre grades e muros.
Não podes demonstrar aquilo que é de fato,
Ou será o elo mais fraco do bando.
Cuidado, quem alto rugi, com medo está…
A sua insensatez, virou a razão.
O “lado humano” que lhe cobram não é de sua vocação.
A verdadeira humanidade está em não esperar o reconhecimento de fotógrafos anônimos…
Em não receber troféus, medalhas e condecorações… Mas sim praticar o bem a alguém.
Humanoide tão seguro de si, com um senso de justiça inatingível? Justiceiro por necessidade ou violento desde o berço?
Almas também podem ser estraçalhadas com palavras, meu caro…
Por que tu tens que provar que é o macho dominante da matilha?
Teu charme não se encontra nesta testosterona que salta de seus poros.
A força, tu não conseguirá nada, talvez só o medo e a revolta…
Tão liso de sangue-frio, mas basta duvidar de suas palavras
E o Senhor Civilizado, explode…
Disparando contra tudo e todos…
Não consegues fechar os olhos pesados e cansados
Apela para milagrosas pílulas, mas leia atentamente as bulas…
Esses remédios trazem consigo fortes contraindicações.
Isso são lágrimas escorrendo de seus olhos? Não, claro, são as gotas da chuva que estão escorrendo de ti…
Tirem-no de sua zona de conforto.
O trancafiem numa cela suja, no escuro e na solidão.
Só assim, verão sua verdadeira natureza.
Só assim o Estado terá em suas mãos “o futuro da nação”…
Os vossos caríssimos representantes, nos escondem verdades e despejam mentiras ridículas frente às câmeras…
De gota em gota de sangue, voltando aos primórdios.
Regresso de um inexistente progresso.
Desordem para estabelecer a ordem.
O sangue derramado, serve de graxa para envernizar as engrenagens desta máquina…
— Humanoide, Pierrot Ruivo
Quote 7 Apr 1 note
Escrevo-te cartas.
Desenho-lhe em palavras e adjetivos singelos.
Elaboro cenas e contextos para nossos distantes momentos.
Atentamente, surfo por entre as ondas de tuas sobrancelhas.
E perco o fôlego quando esse par de jabuticabas me encara.
Lê-me com precisão cientifica, coloca-me em hipnose.
Escrevo-te palavras sobre um amor ingênuo que cresce em mim.
Que queima em meu peito, que me retira o ar.
Que faz brotar a árvore de sorrisos escancarados em meus lábios…
Banho-me nestas cachoeiras negras que escorrem de teu topo.
Hei de contar às estrelas que residem neste teu céu, que você chama de corpo.
Vejo uma diante de mim, estrela brilhante, que se esconde por entre seus lábios banhados a batom vermelho…
Desejo beijar esta estrela que reside em teus lábios, às reticências de uma boca que tem muito a dizer, de voz doce…
Quero conhecê-la, talvez convida-la para um café da tarde, jogar conversas ao pé de seu ouvido, nas conversas informais, perdermos a noção do tempo, assim sonharei que ela fique por uma vida inteira…
Se perdemos o fio de algum assunto, teceremos com nosso próprio novelo, uma nova linha.
Com nossos dedos entrelaçados, escutando tua suave voz pronunciar meu nome com maestria.
Termino de escrever mais uma carta, num ato súbito de coragem vou até o correio para lhe mandar esta carta que confessa todo o meu amor.
Todos lá me conhecem, acompanham de perto a toda esta epopeia romântica.
O carimbador pergunta-me se hoje é o dia, eu apenas entrego a carta, dou as costas e vou embora.
Mas eu recuo, volto atrás e ele lê meus olhos perfeitamente.
Com seu enorme carimbo, marca minha carta com um “sem remetente”, a guarda junta de todas as outras que já te escrevi.
Ele apenas me diz que quando eu tomar coragem sei aonde encontrá-las…
— O Carimbador, Pierrot Ruivo

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